Uso de biofertilizantes como alternativa aos adubos químicos

Postado em: 12/05/2022 - 6 min de leitura

Uso de biofertilizantes como alternativa aos adubos químicos
A dependência do Brasil dos fertilizantes estrangeiros ficou ainda mais evidente após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, que levaram a sanções econômicas à Rússia, afetando a importação desses insumos. Isso porque a agricultura brasileira utiliza 85% comprados do exterior, sendo que a Rússia é responsável por 28% dos negócios.
 
Diante desse cenário, uma alternativa a esses produtos está sendo cada vez mais procurada pelos agricultores: os biofertilizantes.
 
Os biofertilizantes são adubos orgânicos, que podem ser oriundos de diversas fontes diferentes, podendo, inclusive, ser produzidos na própria propriedade. Os biofertilizantes podem ser microrganismos ou compostos que têm ação de melhorar a saúde do solo.
 
Confira algumas alternativas que estão ganhando espaço no cenário atual:
 
Uso de dejetos animais
 
O uso de bioinsumos de origem animal tem sido considerado uma alternativa viável para mitigar os riscos de uma possível falta de fertilizantes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) principalmente em regiões polos suinícolas, avícolas e leiteiras.
 
Os dejetos produzidos pela suinocultura já são utilizados como biofertilizantes em diversas localidades do país, mas o potencial produtivo ainda está longe de ser integralmente explorado. Em 2020, de acordo com dados do Volume Bruto de Produção (VBP) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), foram comercializadas 7,2 milhões de toneladas de esterco suíno e bovino, 15,5% da produção total de 47 milhões de toneladas.
 
Em relação às camas de aviário, considerando 12 aves alojadas por m², em um ano são produzidos mais de 14,9 milhões de toneladas de dejetos. Deste volume, apenas 20,2% foram comercializados. 
 
Além dos benefícios econômicos, a possibilidade de gerar insumos por meio de resíduos da pecuária permitiria reduzir o impacto ambiental em relação à destinação dos dejetos, reduzindo emissões de carbono e metano. Essa alternativa, inclusive, vai ao encontro da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010 pela Lei 12.305, que determina a destinação correta e tratamento dos resíduos gerados ao longo das cadeias produtivas.
 
No caso da suinocultura, muitos produtores utilizam o dejeto líquido diretamente no solo como fertilizante. Outros usam biodigestores para a produção de biogás e geração de energia, cujo processamento gera, pelo menos, 80% do volume de dejeto inicial em resíduo que pode vir a ser utilizado como fertilizante (digestrato).
 
De acordo com o levantamento realizado pelo Sistema FAEP/SENAR-PR, considerando a oferta de nutrientes em cada dejeto e a importação pelo Paraná, o uso da cama de aviário, caso fosse utilizado na sua totalidade, poderia suprir a importação de fósforo. Já o uso de dejetos suíno e bovino na sua totalidade seria capaz de suprir as importações de todos os adubos.
 
Segundo Volnei Pauletti, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista em produção vegetal e nutrição de plantas, é preciso considerar que, ao utilizar dejetos animais, sólidos ou líquidos, na adubação das lavouras, o tempo para liberação dos nutrientes é maior. 
 
Apesar de o processo orgânico ser mais lento, cerca de 50% do potássio e do nitrogênio são liberados no primeiro cultivo após a aplicação, enquanto a outra metade vai sendo liberada ao longo dos próximos dois a três cultivos. A concentração de nutrientes pode variar conforme o estado físico do dejeto, ou seja, quanto mais seco estiver, maior pode ser a quantidade de nutrientes. Dessa forma, a concentração no digestrato é maior do que a contida no dejeto antes da biodigestão.
 
Outro ponto a ser considerado é que, no uso do esterco animal, os nutrientes são aplicados de forma conjunta.  Nesse sentido, a análise do solo e o acompanhamento técnico são fundamentais para fazer a aplicação dos dejetos de acordo com as necessidades do solo e se caso precise, complementar a adubação com os fertilizantes NPK. 
 
Mesmo com um potencial de produção significativo, o uso de dejetos animais ainda se depara, principalmente, em dificuldades logísticas para a comercialização. O custo do frete rodoviário, baseado no valor do quilômetro rodado, poderia inviabilizar a aquisição destes insumos para regiões mais distantes das granjas e aviários.
 
Uma solução logística que poderia favorecer o escoamento dos biofertilizantes é a criação de polos industriais para captação de dejetos e geração de energia. 
 
A maior dificuldade para transporte seria com os dejetos líquidos, provenientes de suínos e bovinos. Como a concentração de nutrientes é mais baixa nesse estado, a inviabilidade aumenta conforme a distância, o que poderia ser mitigado secando o material que sai do biodigestor. 
 
Ainda que o uso de dejetos mostre potencial de exploração, especialistas sinalizam que os biofertilizantes não substituem os fertilizantes minerais em larga escala e não resolvem o problema imediato a nível nacional, principalmente pelo alto custo com transporte.
 
Indústria organomineral
 
Relacionado a este cenário, também se abre a possibilidade da criação de indústrias para processar os dejetos animais, tornando mais fácil a aplicação no solo. Os fertilizantes organominerais são combinações de fontes orgânicas, como o esterco animal, com nutrientes minerais, fabricados industrialmente. Essa tecnologia representa uma alternativa promissora para a destinação segura dos resíduos animais e uma oportunidade de inovação no setor de fertilizantes.
 
De acordo com a Embrapa Suínos e Aves, comparado ao esterco, o fertilizante organomineral apresenta maior concentração de nutrientes por se tratar de um produto mais estável e uniforme. Já em comparação ao mineral, apresenta um potencial químico reativo relativamente inferior, porém sua eficiência agronômica pode se tornar maior no decorrer do período de desenvolvimento da cultura.
 
Contudo, o setor de fertilizantes organominerais ainda carece de informações estruturadas e organizadas para a prospecção de mercado e tecnologia no Brasil, como indica o estudo “Fertilizantes organominerais de resíduos do agronegócio: avaliação do potencial econômico brasileiro”, publicado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2017. Nas considerações dos autores, é preciso resolver gargalos tecnológicos associados à conversão da matéria orgânica e ao aproveitamento dos nutrientes disponíveis.
 
Uma das metas do Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), lançado pelo governo federal neste ano é aumentar em, pelo menos, 25% o número de fábricas de fertilizantes organominerais no Centro-Oeste e Centro-Norte até 2030, em 50% até 2040; e em 100% até 2050. A proposta é aumentar a oferta em até 500% para daqui a 28 anos.

BiomaPhos
 
Em 2019, a Embrapa colocou no mercado brasileiro um biofertilizante chamado BiomaPhos. São duas bactérias que, quando aplicadas no solo, atuam sobre o fósforo que está no solo, deixando-o mais disponível para a planta. Com isso, o produtor tem que usar menos fosfato, menos adubo. 
 
Na safra de 19/20, 300 mil hectares no Brasil foram adubadas com com BiomaPhos. Na de 20/21, 1,5 milhão de hectares, e 21/22 a previsão é de 3 milhões de hectares. 
 
Biofertilizantes à base de rodolitos marinhos
 
Os rodolitos marinhos são pedras extraídas em jazidas do litoral fluminense. O uso regular é autorizado no Brasil mediante licença.
 
Os minerais são transformados em biofertilizante em uma fábrica em Petrolina, no Vale do São Francisco, em Pernambuco. São produzidos 3 mil quilos por dia. Até o fim do ano, deve passar para 10 mil quilos.
 
O fertilizante fabricado lá se tornou uma saída para os produtores rurais da região que estavam sofrendo com a crise mundial, que fez os preços dos insumos agrícolas dispararem nos últimos anos.
 
O biofertilizante custa um quarto do valor do produto importado e tem sido usado, principalmente, em plantações de manga e uva em Petrolina.
 
Mais informações: 
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Telefone: (19) 3432-2199
WhatsApp (19) 99817- 4082 
 
Fonte: 
 
Setor produtivo busca alternativas para contornar escassez de fertilizantes (https://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/setor-produtivo-busca-alternativas-para-contornar-escassez-de-fertilizantes/)
 
Embrapa busca formas de reduzir necessidade de importação de fertilizantes (https://exame.com/brasil/embrapa-busca-formas-de-reduzir-necessidade-de-importacao-de-fertilizantes/) 
 
Biofertilizante é alternativa em Petrolina com aumento de preços pela guerra na Ucrânia (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/05/02/biofertilizante-e-alternativa-em-petrolina-com-aumento-de-precos-pela-guerra-na-ucrania.ghtml)
 

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