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Postado em: 14/01/2020

Adubação da pastagem: por onde começar?

A garantia de uma boa produção das pastagens está diretamente ligada à manutenção do equilíbrio no sistema solo planta-animal. Isso significa que todos os nutrientes extraídos pelos animais devem ser repostos.

Parte dos nutrientes extraídos pelo animal, ao consumir a forragem, fica retido no produto (cerca de 10% na carne e 25% no leite). Outra parte retorna naturalmente ao solo pela urina e decomposição das excretas e forragem não consumida.

Todavia, dos nutrientes que retornam ao solo pela ciclagem natural, parte é perdida por volatilização, principalmente o N, por lixiviação, por erosão no caso do N, K, S, Ca e Mg, e fixação às partículas do solo, como é o caso do P.

Estima-se que entre 35% a 85% dos nutrientes que retornam ao solo via fezes, urina ou decomposição de partes da planta, incluindo as raízes, sejam perdidos. Apenas 10 a 20% dos nutrientes é efetivamente reciclado e fica disponível, novamente, para a planta.

As perdas de nutrientes são maiores quando:

- Há pouca matéria orgânica no solo;
- Elevada proporção de solo desnudo e pouca cobertura vegetal;
- Pastagens mal manejadas, particularmente quando ocorre super pastejo.

Assim, para mantermos as pastagens produtivas, é necessário repor os nutrientes, através da adubação do solo. Porém, é necessário ter em mente que as práticas corretivas e a adubação do solo são apenas parte dos requisitos necessários para obtenção de sucesso do sistema de produção em pastagens, sendo essenciais a escolha da forrageira e o manejo correto do pasto.

Como começar a adubação?

Fatores climáticos afetam a produtividade e, por isso, devem ser considerados determinantes das decisões sobre a aplicação estratégica de práticas corretivas e/ou de adubação.

A adubação deve ser realizada nas épocas de maior potencial de resposta da planta e quando há água disponível para solubilização e absorção dos nutrientes.

As espécies forrageiras são divididas em grupos, com base em suas exigências nutricionais:



O Grupo I é o mais exigente em fertilidade de solo e, portanto, requer adubações mais frequentes e em maiores quantidades. O Grupo II representa espécies de média exigência, enquanto o Grupo III compreende espécies menos exigentes.

Após identificar as exigências da espécie forrageira utilizada como pastagem em sua propriedade, devemos garantir o suprimento de nutrientes. As quantidades de cada nutriente são definidas a partir de uma recomendação de adubação. Para que a recomendação seja adequada, é necessário uma análise de solo de sua propriedade.

As amostras deverão ser retiradas em áreas uniformes de até 10 hectares na profundidade de 20 cm, tendo antes o cuidado de limpar a superfície dos locais escolhidos, removendo as folhas e outros detritos.

Recomenda-se a retirada de 15 a 20 amostras por gleba homogênea, que deverão ser colocadas juntas em um balde limpo, misturadas dentro do balde, retirando-se uma amostra final em torno de 500 g.



A primeira etapa para ajustar a fertilidade, a fim de atender as exigências da espécie que você possui, é corrigir as deficiências do solo. O conjunto de práticas a serem implementadas nessa etapa são denominada práticas corretivas. Essas práticas devem ser adotadas quando se deseja recuperar pastagens degradadas, por ocasião da implantação de uma nova espécie forrageira em um solo de baixa fertilidade, ou se a pastagem já formada não recebe nenhum tipo de correção e adubação há algum tempo.



As práticas corretivas, a estratégia de aplicação e as doses de adubação a serem adotadas devem se basear no resultado da análise do solo.

As faixas "muito baixo" e "baixo" representam a maior parte dos solos brasileiros, ou seja, solos pobres em nutrientes. Nesses casos, a adubação de correção será definida a fim de elevar os níveis dos nutrientes pelo menos até o teor crítico, considerado adequado ao desenvolvimento da cultura de interesse.

Para correção e elevação dos níveis de P e K, o fertilizante será aplicado de uma só vez, sendo, assim, denominada adubação de correção total. Essa estratégia não é indicada para solos muito arenosos, quando os teores de P ou K forem muito baixos ou baixos, pois as quantidades de adubo de correção somadas àquelas de manutenção poderão ser muito altas. Isso pode acarretar em perdas de nutrientes por lixiviação.

A recomendação para esses casos é a utilização da adubação corretiva gradual. A adubação de correção deve ser feita ao menos a cada três anos, quando uma nova análise vai demonstrar se há necessidade de uma nova correção com quantidades menores de fertilizantes.

Após a correção do solo, a adubação de manutenção tem por objetivo repor os nutrientes retirados pela cultura e àqueles que foram perdidos. Em pastagens estabelecidas, a adubação de manutenção será aplicada de forma parcelada na época de crescimento da pastagem, após a saída dos animais ou a cada 30 dias. O ideal é que uma parcela seja aplicada após cada ciclo de pastejo. A adubação de manutenção deve ser feita anualmente.

A adubação de reposição será adotada quando os teores de nutrientes no solo estiverem acima do nível crítico. Assim, essa adubação irá repor os nutrientes extraídos pela planta e, ao mesmo tempo, manter os teores do solo sempre elevados.

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* Baseado no livro Recomendações para correção e adubação de pastagens tropicais, de Lilian Elgalise Techio Pereira, Nathalia Tami Nishida, Lucas da Rocha Carvalho e Valdo Rodrigues Herling, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP.

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Fonte consultada:

Livro Recomendações para correção e adubação de pastagens tropicais, de Lilian Elgalise Techio Pereira, Nathalia Tami Nishida, Lucas da Rocha Carvalho e Valdo Rodrigues Herling, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP (http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/download/251/223/1003-1?inline=1)

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