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Postado em: 01/10/2019

Boas práticas no transporte de bovinos evitam altos níveis de estresse

O transporte de bovinos é uma parte muito importante da cadeia de produção, especialmente de carne. Isso devido ao alto índice de estresse que acomete os animais nessas condições, especialmente se essas forem feitas em situações adversas.

O estresse acarreta sofrimento aos animais, o que deve ser evitado devido a  algumas questões, como bem-estar animal e comprometimento da qualidade da carne.

Situações adversas no transporte de animais incluem viagens muito longas, estradas com buracos, problemas de alojamento nos caminhões, superlotação, condições climáticas, entre outros. 

Devido ao alto potencial de estresse dos animais, é muito importante que o transporte de bovinos seja feito de acordo com boas práticas de manejo. As boas práticas garantirão o bem-estar animal, bem como a qualidade da carne.

Boas práticas de manejo durante o transporte

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Etologia e Ecologia Animal (GRUPO ETCO), da UNESP de Jaboticabal (SP), lançou uma série de manuais de boas práticas, incluindo o Manual de boas práticas de manejo durante o transporte.

As recomendações apresentadas neste manual, lançado em 2014, foram desenvolvidas com base em resultados de pesquisas realizadas em vários frigoríficos comerciais do Brasil, em especial no Frigorífico Marfrig, em Promissão-SP.

Confira abaixo quais são as principais recomendações desse manual.

Planejamento

Antes do transporte dos animais ser feito, deve-se definir:

- quais animais serão transportados (categorias e números);
- tipo de veículo a ser utilizado;
- número de veículos necessários;
- rotas a serem utilizadas;
- datas e os horários previstos para o embarque e o desembarque;
- motoristas responsáveis pelo transporte.

Além disso, os motoristas e transportadoras devem manter os veículos em boas condições e ter conhecimentos sobre as condições das estradas. Os motoristas devem ser treinados em boas práticas de manejo no transporte e estarem atentos a todas as informações sobre a viagem.

Abatedouros devem estar preparados para realizar o desembarque dos animais com agilidade e eficiência.

Documentos necessários

Além dos documentos básicos, do motorista e do veículo, para o transporte de bovinos são também necessários os documentos dos animais, dentre eles:

- guias de trânsito de animal (GTAs);
- notas fiscais do produtor (com informações sobre a origem e o destino dos animais);
- em alguns casos, os documentos de identificação animal;
- Em algumas situações, são exigidos outros documentos, como por exemplo atestados de sanidade específicos.

Responsabilidades das fazendas

É responsabilidade das equipes das fazendas:

- manter os caminhos de acesso aos currais em boas condições e oferecer apoio aos motoristas boiadeiros quando as condições não forem favoráveis;
- fazer o escalonamento da chegada dos veículos nas fazendas, de forma a evitar acúmulo de veículos no local de embarque e para reduzir o tempo de espera;
- oferecer boas condições para os motoristas boiadeiros enquanto aguardam o embarque, sendo importante dar acesso a água fresca e de boa qualidade, banheiros limpos e nos casos de viagens longas, alimentação e local de descanso.

Plano de viagem

O plano de viagem deve:

- prever os horários de chegada na fazenda bem como o horário previsto para o desembarque;
- contemplar os locais e horários de paradas, para inspeções dos animais, abastecimento do veículo e para o atendimento das necessidades dos motoristas (refeições, descanso, etc.).

Veículo

O transporte de bovinos é geralmente realizado em três tipos de veículos, que se diferenciam principalmente em relação aos compartimentos de carga, são eles:

1) veículo não articulado com três eixos, geralmente conhecido como caminhão “truck”;
2) veículo articulado, conhecido como carreta, com um ou dois pisos de compartimento de carga;
3) veículo duplo-articulado ou articulado, conhecidos com “bi-trem” ou ”Romeu-e-Julieta”, respectivamente, que são compostos por dois compartimentos de cargas independentes, ambos com um piso.

Compartimentos de carga

Compartimentos de cargas fechados têm algumas vantagens e desvantagens.

Vantagens:

- os animais ficam menos agitados durante o transporte, pois o fechamento limita os efeitos de estímulos externos, como o movimento de outros veículos e de pessoas que se aproximam e causam estresse;
- há redução no lançamento de fezes e urina nas estradas.

Desvantagens:

- o fechamento das laterais traz o problema de reduzir a ventilação nos compartimentos de carga, que se agrava quando o veículo está parado;
- cria dificuldades para a inspeção dos animais durante a viagem.

Para minimizar o problema de ventilação é recomendado evitar paradas longas e, sempre que possível estacionar os veículos em locais sombreados, protegendo os animais da radiação solar direta.

Para facilitar a inspeção dos animais é recomendado deixar uma faixa aberta à altura de 40cm do piso do compartimento de carga.

Número de animais a ser embarcado

Para definir a capacidade de carga de um veículo (caminhão ou carreta) deve-se medir o comprimento de cada um dos compartimentos de carga, e com essa medida e o peso médio dos animais que serão embarcados, definir o número de animais por compartimento com base na tabela abaixo:



Piso dos compartimentos de carga

Os pisos dos compartimento de carga devem ser cobertos com um tapete de borracha e sobre o tapete deve ser instalada uma grade de ferro quadriculada (com quadrados de 30 a 35 cm de lado). Essas estruturas têm como função proporcionar conforto e segurança para os animais, diminuindo os efeitos negativos da trepidação e os riscos de escorregões e de quedas.

Tanto os tapetes quantos as grades devem ser bem fixados ao piso dos compartimentos de carga, sendo que as grades devem ser sempre posicionadas sobre o revestimento de borracha.

Recomendações práticas para o embarque e transporte de animais:

O especialista em Ciência da Carne, Dr. Marcelo Coutinho, forneceu no curso on-line Fatores pré-abate que afetam a qualidade da carne bovina algumas recomendações práticas relacionadas ao tema do transporte de animais:

1) Contratar empresas de transporte de boa reputação ;
2) Evitar choques e aguilhões;
3) Embarcar o gado nas densidades recomendadas (400 kg/m2);
4) Evitar viagens longas (até 8 horas);
5) Evitar paradas na estrada;
6) Dar preferência a estradas asfaltadas, ainda que a viagem fique um pouco mais longa por essas vias.

Você poderá encontrar outras informações sobre fatores pré-abate que podem afetar a qualidade da carne no curso Fatores pré-abate que afetam a qualidade da carne bovina.  Ministrado pelo Especialista em Ciência da Carne, Dr. Marcelo Coutinho, o curso tem como objetivo apresentar os principais fatores que afetam a qualidade da carne no período pré-abate, desde o manejo no curral, embarque, transporte, desembarque e descanso dos animais.

Você pode fazer a aquisição do curso individualmente ou optar pela assinatura que dá acesso a todos os cursos da plataforma. Hoje já são cerca de 160 cursos! Clique aqui para saber mais informações sobre os planos de assinatura!
 
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