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Postado em: 04/12/2019

Carnes em alta: o que esperar no mercado pecuário?

Atualmente, um dos assuntos mais comentados - e sentidos no bolso! - é o aumento do preço da carne bovina no varejo. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses o custo do contrafilé subiu 50% para os supermercados; o do coxão mole, 46%. Por isso, o aumento foi repassado aos consumidores. O aumento do preço da carne observado nos últimos meses tende a se estender também pelo ano de 2020.

Quais os motivos desse aumento e como isso repercute no mercado pecuário?

O cenário que vemos hoje é consequência de uma conjunção de fatores. O primeiro e talvez o de maior impacto, é a maior demanda da China, causada principalmente pelo impacto da peste suína africana que vem afetando o país de forma bastante severa. A peste suína africana chegou no país em agosto de 2018 e, desde então, seu avanço foi devastador.

Em abril de 2019, veio a confirmação de que se tratava de um problema gigantesco: até 200 milhões de suínos poderiam ser abatidos ou mortos por infecção, estimou o banco holandês Rabobank.

Embora seja a proteína mais consumida na China, nenhum produtor mundial teria capacidade para alimentar os mais de 1 bilhão de habitantes do país com carne suína, e por isso a saída foi migrar as compras para carne bovina. Nesse setor, o Brasil se destaca, ao lado de Estados Unidos e Austrália.

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o volume de carne exportado pelo Brasil se mantém acima das 100 mil toneladas desde julho de 2018, influenciado especialmente pela demanda chinesa. Em novembro, a China até autorizou 13 novos frigoríficos brasileiros a exportar para o país para reforçar a produção.

Esse fator somou-se a mais um motivo que tem contribuído para o aumento do preço da carne: a alta do dólar. Em tempos de dólar alto, vender para o exterior é bem mais atrativo que as vendas nacionais.

As exportações brasileiras de carne bovina fecharam o mês de outubro com recorde em faturamento e nos volumes embarcados. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), o volume exportado em outubro foi de 185.537 toneladas, crescimento 15% em relação ao mesmo período do ano passado.

O resultado representa o maior volume mensal já embarcado pelo país e o maior faturamento em um mês. Em relação ao faturamento, o mês fechou com receita de US$ 808,4 milhões, 30% acima do mesmo mês em 2018. Se comparados ao mês de setembro, os resultados de outubro apontam alta de 33% no faturamento e 28% no volume embarcado.

Quando se olha o acumulado do ano o resultado também é positivo. De janeiro a outubro de 2019 foram exportadas 1.463.922 toneladas de carne bovina, com receitas de US$ 5,776 bilhões, crescimento de 9,9% e 7,5%, respectivamente ante ao mesmo período do ano passado. “Os resultados mostram a consolidação da carne brasileira nos principais mercados internacionais”, explica o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli.

Um dos principais aspectos para esses resultados é o avanço das exportações para a China, que em outubro somaram 65.827 toneladas, crescimento de quase 62% em relação ao mês anterior. Quando se observa os tipos de produtos, as vendas de carne in natura registraram alta de 29,4% em relação a setembro, somando 160.099 toneladas.

Outro motivo que vem influenciando o preço da carne diz respeito justamente ao ciclo pecuário. O Cepea afirma que, de modo geral, houve um alto número de abate de vacas nos últimos anos. Com menos fêmeas no pasto, a oferta de bezerros e, consequentemente, a de boi gordo nos dias de hoje foi prejudicada.

Por fim, temos o aumento da demanda nessa época do ano, que também contribui para o aumento dos preços da carne. No fim do ano, a população está com mais renda por causa do 13º salário, querendo proteína animal para a ceia e, este ano, ainda foi liberado o FGTS ( saque de até R$ 500 por conta).

Mercado pecuário

Se para o consumidor os altos preços da carne são uma péssima notícia, especialmente em épocas de festas de final de ano, quando o consumo de carne aumenta, para o pecuarista, isso significa altos preços da arroba do boi.

Nesse cenário, os preços da arroba apresentam movimento de alta em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Na quarta-feira, 6 de novembro, o Indicador do boi gordo ESALQ/B3 (São Paulo) fechou a R$ 177,45, alta de 6% frente à quarta-feira anterior, 30 de outubro. Esse é o maior valor nominal da série histórica do Cepea, iniciada em 1994.

Em termos reais, no entanto, trata-se do maior patamar desde abril de 2016, quando a média mensal do Indicador foi de R$ 182,00 (valores foram deflacionados pelo IGP-DI) – ressalta-se que o maior patamar real do Indicador, de R$ 190,84, foi registrado em abril de 2015. No mercado atacadista de carne da Grande São Paulo, os preços também estão em alta e se aproximam dos recordes reais da série.

Os preços da arroba do boi gordo atingiram um novo recorde no fechamento da sexta-feira, 29 de novembro. De acordo com o Cepea, o valor fechou a R$ 231,35. Até então, o maior valor tinha sido registrado na quarta-feira, 27, quando a arroba do animal havia chegado a R$ 231. No acumulado de novembro, o indicador do boi gordo Esalq/ B3 teve alta de 35,5%, ou de R$ 61,80.

Diante desse cenário, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta, inclusive, para uma possibilidade de aumento no número de abates de vacas neste momento. Com essa dificuldade de os frigoríficos encontrarem boi gordo disponível no mercado, o pecuarista pode ser estimulado a descartar as fêmeas. Isso somente vai reforçar a tendência de alta nos preços que vemos hoje.

Para lidar com essa situação, o pecuarista deve agir com cautela e planejamento, pois o ciclo pecuário tem um histórico de altas e baixas. Deve-se evitar agir com euforia nesse momento, pois qualquer tipo de decisão tomada no mercado pecuário deve sempre levar em conta que trata-se de um negócio de longo prazo. Ainda não há como prever com clareza se - e quando - os altos preços levarão a uma pressão de redução na demanda e subsituição da carne bovina por outro itens mais baratos, o que fatalmente levaria à queda nos preços novamente.

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Fontes: BBC Brasil, Valor Econômico, Canal Rural, Extra, Cepea e BeefPoint.

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