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Postado em: 13/01/2020

Crescimento compensatório em gado de corte

Ganho compensatório é o crescimento mais rápido e eficiente em animais logo após um período de restrição alimentar, desempenhando um importante papel na produção de carne. Durante a fase de crescimento, bovinos de corte passam frequentemente algum tipo de estresse nutricional e exibem ganho compensatório quando colocados em dietas de melhor qualidade. 
 
Esse mecanismo homeostático causa mudanças nos padrões de crescimento dos bovinos e permite que o animal alcance um tamanho similar ao do animal cujo crescimento foi contínuo. 
 
Biologicamente, trata-se da combinação de hipertrofia compensatória dos músculos esqueléticos, do acúmulo aditivo de gordura e crescimento mitótico de ossos, com retenção de água, minerais e material protéico, que se revela pelo ganho compensatório, incluindo completa reversão das características desejáveis da carcaça, desde que seja dado tempo suficiente para recuperação.
 
Existem basicamente três formas de resposta do bovino após uma período de restrição alimentar: compensação completa, parcial ou sem compensação. Isso pode ser verificado pela inclinação da curva de crescimento após os animais passarem ou não por um período de restrição alimentar. 
 
Na compensação completa o peso e idade de abate dos animais com ou sem restrição são semelhantes. Na restrição parcial, o animal consegue ter um crescimento significativo mas não é o suficiente para alcançar o mesmo peso e idade de abate dos animais que não sofreram restriçãos. Quando não há compensação o peso de abate só será atingido em idade mais avançada. 
 
Fatores que afetam o crescimento compensatório
 
Os fatores mais importantes que afetam o crescimento compensatório de bovinos são a idade em que ocorre a restrição, a severidade e a duração da mesma.
 
Bovinos que sofrem restrição alimentar logo após o nascimento tendem a não apresentar crescimento compensatório, podendo ou não atingir o mesmo peso à maturidade que animais que não sofreram restrição alimentar. Entretanto, a evidência para essa conclusão de que quanto mais novo ou quanto mais distante do seu peso adulto no início da restrição, menor a capacidade do animal de exibir crescimento compensatório, não é conclusiva. 
 
A severidade da restrição parece estar relacionada com o tempo de permanência em crescimento compensatório do que com a taxa de ganho compensatório. Já a extensão da restrição parece estar relacionada com a taxa de ganho, pois à medida que aumenta a duração da restrição, aumenta a taxa de ganho após o final da mesma. 
 
O crescimento compensatório pode ser completo, quando os animais são submetidos a períodos curtos ou médios de restrição, sendo que a capacidade de recuperação diminui à medida que a severidade e a duração da restrição são aumentadas.
 
A severidade da restrição, ou seja, a quantidade de nutrientes que o animal terá disponível no período de restrição, influencia a resposta do animal após o restabelecimento da alimentação normal. A intensidade da restrição está relacionada mais com o tempo de permanência do animal em crescimento compensatório do que com a taxa de compensação.
 
Alterações no animal durante o crescimento compensatório
 
O crescimento compensatório tem curta duração, mas verifica-se diversas mudanças no animal durante sua ocorrência. A ingestão de alimentos nas três ou quatro semanas após a restrição alimentar é variável, sendo modificada pelo tamanho do trato gastrintestinal (TGI), pela capacidade de absorção do seu epitélio e pela capacidade do fígado de metabolizar os nutrientes. 
 
O maior componente do crescimento compensatório após um período de restrição é o aumento no consumo de alimentos. O tempo para os órgãos internos atingirem pesos e tamanhos normais após a cessação da restrição pode ser de 70 a 90 dias. Esses órgãos (fígado, rins, coração e TGI) têm seu crescimento durante a restrição mais afetado que o do animal como um todo, mas no período pós-restrição ocorre o contrário. 
 
A exigência de energia metabolizável para mantença é reduzida para animais em compensação em até 20%, resultando em maior disponibilidade de energia para produção, em uma mesma ingestão de alimentos. Essa exigência menor está ligada ao menor tamanho dos órgãos internos devido à restrição alimentar. A energia líquida para crescimento também é reduzida em até 18%, indicando uma melhor eficiência de utilização de energia dos animais compensando. O ganho compensatório pode ser atribuído em grande parte ao aumento do enchimento do TGI e do peso do tecido do TGI e outros órgãos internos.
 
Mudanças endócrinas no hormônio de crescimento (GH), no IGF-I (insulin-like growth factor), na insulina e tiroxinas T3 e T4, também ocorrem, bem como mudanças na composição corporal e do ganho de peso. Aumento na deposição de proteína foi verificado por alguns pesquisadores no início da compensação devido ao aumento no TGI e no fígado. 
 
A composição corporal a um mesmo peso, de animais que exibiram crescimento compensatório pode diferir ou não da composição de animais geneticamente idênticos que não sofreram restrição alimentar, dependendo do nível nutricional após a restrição e do efeito da restrição no tamanho do animal à maturidade.
 
Conclusões
 
Após um período de restrição alimentar bastante comum devido à estacionalidade da produção de forragens, o bovino pode apresentar um crescimento mais rápido e eficiente denominado crescimento compensatório. Essa resposta à re-alimentação é variável em magnitude e é afetada por vários fatores como a idade do animal durante a restrição e a severidade e duração da mesma. 
 
Redução no requerimento de mantença, aumento na eficiência de crescimento, redução da energia do tecido depositado e aumento do consumo de alimentos, são mecanismos que contribuem para o ganho compensatório. A participação de cada um destes mecanismos, ou a interação entre eles, durante o crescimento compensatório depende da severidade e duração da restrição alimentar e da qualidade do alimento na fase após a restrição. 
 
A variação na resposta dificulta o manejo nutricional dos bovinos de corte, mas pode melhorar de maneira considerável o desempenho quando tem livre acesso a uma dieta de alta qualidade após um período de restrição alimentar.
 
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* Baseado no artigo de Paulo Roberto Leme, Crescimento compensatório em bovinos de corte, para o site BeefPoint.
 
Mais informações:
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Fontes consultadas:
 
Crescimento compensatório em bovinos de corte (https://www.beefpoint.com.br/crescimento-compensatorio-em-bovinos-de-corte-4798/)
 
Crescimento compensatório em bovinos de corte (https://www.beefpoint.com.br/crescimento-compensatorio-em-bovinos-de-corte-41454/)

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