8 perguntas e respostas sobre adaptação dos animais à dieta de confinamento

Postado em: 26/10/2018 - 4 min de leitura

8 perguntas e respostas sobre adaptação dos animais à dieta de confinamento
A recria ou terminação de bovinos em confinamento demanda alguns cuidados importantes para que os animais alcancem o ganho de peso desejado, no período de tempo esperado. Além dos aspectos relacionados ao ambiente e à sanidade dos animais, o manejo da alimentação nesse sistema impacta diretamente os resultados.

Um dos pontos essenciais é a adaptação dos animais à dieta de confinamento. Confira abaixo perguntas e respostas sobre esse tema, com informações fornecidas pelo professor Flávio Portela Santos, da Esalq/USP:

1) Quando os animais vêm de outro estabelecimento, qual o primeiro passo a ser dado?

Quando os animais chegam ao confinamento vindos de outros locais, é comum que eles estejam estressados devido à longa viagem que fizeram. Dessa forma, é necessário que eles passem por um período de adaptação ao novo ambiente.

Assim, a primeira recomendação é que os animais sejam encaminhados inicialmente a um piquete com pasto, água e sombra, onde possam ficar confortáveis, hidratar-se e se alimentar antes de serem direcionados ao curral para entrarem no confinamento.

O tempo necessário pode variar de algumas horas até alguns dias.

2) E quando o animal é recriado na própria fazenda?

Nesse caso, o animal já sai do pasto diretamente para o processamento que antecede à entrada em confinamento, não havendo necessidade dessa adaptação.

3) Em que consiste esse processamento pré-confinamento?

O processamento inclui vermifugação, vacinação, pesagem e divisão em lotes.

4) Como é feita a formação de lotes?

A formação de lotes é feita da forma mais uniforme possível, levando em consideração os seguintes critérios:

- Sexo (machos e fêmeas separados);
- Grupo racial (zebuínos e europeus separados, além das diferenças dentro desses grupos);
- Peso e composição corporal.

Lembrando que quanto mais uniformes forem os lotes, maiores as chances de os animais chegarem juntos no abate. Isso também ajuda a potencializar a bonificação pelas carcaças.

5) Como se faz a adaptação à nova dieta e por que isso é importante?

Os animais que vieram de uma condição de recria em pasto, entrarão em uma dieta com alta densidade energética. Isso não pode ser feito de forma abrupta. Assim, existem protocolos de adaptação desses animais.

É necessário adaptar a população microbiana no rúmen, que vai mudar de uma população celulolítica (adaptada à digestão de uma dieta rica em fibra e celulose) para uma população sacarolítica e amilolítica (adaptada à digestão de uma dieta rica em carboidratos não fibrosos fermentados, como açúcar, amido, pectina).

Além disso, o animal que se alimentava no pasto parava de comer por distensão ruminal. É necessário, dessa forma, adaptar seu cérebro para que pare de comer por mecanismos fisiológicos, através da ação de compostos energéticos que sinalizarão o momento de parar de comer.

6) Quanto tempo leva esse processo?

Esse processo leva alguns dias. Dependendo da dieta final, esse processo de adaptação pode levar até mais de 20 dias. O tempo depende de onde o animal estava, em termos de dieta, e onde se pretende chegar.

O mais comum são protocolos de adaptação de 15 a 28 dias. O importante é que esse processo seja bem feito e que os animais entrem em uma dieta inicial que não ofereça risco de acidose. Assim, a oferta de concentrado tem que ser aumentada de forma gradativa até chegar na dieta final.

Deve-se sempre observar leitura de cocho e o aumento controlado para evitar a flutuação no consumo. Isso é fundamental na adaptação, pois trata-se de um momento de alto risco de distúrbio metabólico. (Confira artigo relacionado: Como fazer a correta leitura do cocho de bovinos confinados?)

7) Quais os protocolos mais comuns no Brasil?

Existem dois:

a) Protocolo em escada

Nesse caso, parte-se de uma dieta inicial com 40-50% de volumoso (e o resto de concentrado) e aumenta-se a quantidade de concentrado gradativamente. Em geral, faz-se três a quatro dietas diferentes, com aumentos gradativos, até chegar na dieta final. Nesse caso, a cada 5-7 dias faz-se pequenas alterações na dieta, sempre de uma forma gradativa.

b) Protocolo gradativo, com dieta inicial e dieta final

Nesse caso, para não ter que trabalhar com tantas dietas, os confinamentos optam por trabalhar com apenas duas dietas: a inicial e a final. Assim, parte-se de uma dieta inicial rica em volumoso e, gradativamente vai-se fazendo a mistura, colocando a dieta final aos poucos, um pouco por dia, até chegar na dieta final.

No início, coloca-se apenas uma pequena quantidade da dieta final e essa vai aumentando gradativamente, até chegar exclusivamente nela.

8) Qual protocolo é melhor?

Não há uma protocolo melhor que o outro. O importante mesmo é que esse protocolo seja muito bem feito, minimizando os riscos de distúrbios metabólicos e permitindo um consumo frequente de alimento concentrado, sem grandes flutuações.

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