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Postado em: 30/01/2019

Boas práticas são essenciais na vacinação de bovinos

Ao definir o manejo sanitário de um rebanho, a vacinação é a primeira ferramenta a ser lembrada. O ato da vacinação é uma prática simples, mas que requer alguns cuidados especiais e conhecimentos para evitar prejuízos aos produtores, danos aos animais e para que o próprio processo de vacinação tenha maior chance de ser bem sucedido.

Dessa forma, é muito importante que o produtor rural esteja apto a realizar o procedimento de vacinação de forma adequada, visando minimizar fatores que possam levar a falhas no processo de imunização.

Confira abaixo os principais processos envolvidos na prática da vacinação, de acordo com informações do Manual de Boas Práticas de Vacinação e Imunização de Bovinos, da Embrapa.

Planejamento

A escolha por qual vacina utilizar em um determinado rebanho deve levar em consideração fatores como:

- manifestação de doenças na propriedade;
- relatos de casos de doenças na região; e
- relatórios informativos sobre o diagnóstico e a prevalência de doenças contagiosas publicados por órgãos oficiais de vigilância sanitária, extensão agropecuária, ou ainda, por instituições de pesquisa e ensino.

Deve-se, então, criar um calendário de vacinação, no qual estarão definidas as vacinas a serem utilizadas e a melhor época para a aplicação de cada uma delas. Este calendário deverá ser definido juntamente com o médico veterinário responsável pelo rebanho.

Algumas vacinas são obrigatórias em bovinos e, portanto, devem ser incluídas no calendário anual de vacinação. Dentre as obrigatórias estão a vacina contra a febre aftosa (cujo calendário de vacinação é divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a brucelose (vacinar apenas fêmeas entre três e oito meses de idade) e a raiva no caso de ocorrência de focos da doença.

Além das vacinas obrigatórias, o produtor deve também considerar a real necessidade da utilização de outras vacinas para proteger os animais contra determinadas doenças, utilizando uma ou mais das dezenas de vacinas disponíveis no mercado.

Aquisição

Várias são as opções de vacinas disponíveis no mercado. Deve-se prestar atenção se os produtos disponíveis à venda atendem à necessidade do programa sanitário definido anteriormente. As vacinas a serem utilizadas devem ser aprovadas pelo MAPA e adquiridas em lojas registradas, e na quantidade compatível com o número de animais a serem vacinados.

O produtor sempre deve exigir a nota fiscal e conferir os rótulos do frasco para verificar o número de partida, data de fabricação e prazo de validade.

Conservação de vacinas

É fundamental que a cadeia de frio seja preservada desde a produção da vacina até o destino final (produtor). O ideal é que fiquem acondicionadas em temperatura entre 2°C a 8°C, numa caixa térmica com gelo, sempre com três partes de gelo para cada parte de vacina, durante o transporte ou no dia do manejo (Figura 1), e mantidas em geladeira até o uso.

A conservação da vacina é essencial para a boa imunização do rebanho. Deve-se manter a faixa de temperatura recomendada, nem permitindo o aquecimento, nem o congelamento do produto, o que pode ocorrer se a geladeira estiver mal regulada. Se a vacina congelar deverá ser descartada. Desde que bem acondicionadas e mantidas na temperatura adequada, as vacinas poderão ficar estocadas até o prazo de validade estabelecido pelo fabricante.



Figura 1: Forma correta de armazenamento de vacinas para o transporte e administração (dia do manejo). Três partes de gelo para cada parte de vacina e pistola de vacinação armazenada dentro da caixa térmica nos intervalos entre as aplicações.

Local para vacinação

A estrutura física da área da fazenda (tronco e brete) deve estar em condições adequadas para a movimentação e contenção dos animais. O ideal é que o manejo seja conduzido de forma tranquila (sem pressa), com o mínimo de barulho possível, o que gera menos estresse nos animais.

O estresse em qualquer animal leva à liberação de mediadores químicos que podem ocasionar a diminuição da resposta imunológica à vacina.

Os animais não devem permanecer presos por um período muito longo e, após a vacinação, deve ser disponibilizado acesso à água e ao alimento.

Agulhas

Para cada tipo de aplicação há um tipo mais adequado de agulha. As injeções intramusculares, como são mais profundas, necessitam de agulhas mais longas. Também, quanto maior a viscosidade da vacina maior a espessura (calibre) da agulha (figura 2).

Como exemplo de veículo oleoso temos a vacina contra a febre aftosa que deve ter aplicação subcutânea. Já para as administrações intramusculares mais profundas, recomendam-se agulhas de maior comprimento (ver tabela 1). Deve-se ressaltar também que, um calibre muito grosso (acima do indicado para aquele produto) pode provocar refluxo de vacina e reduzir a quantidade aplicada.


Figura 2: Agulhas de diferentes calibres e tamanhos, colocadas sobre o gabarito da caixa da pistola de injeção, com a finalidade de conferir a especificação das agulhas.



Algumas recomendações relacionadas ao uso de agulhas são:

- Esterilizar em água fervente, por 15 minutos;
- Acondicionar em caixas limpas de plástico ou aço inoxidável (um fogareiro e um recipiente de metal com água limpa são os itens necessários);
- Trocar de agulha a cada dez animais, substituindo por outra já esterilizada e pronta para o uso;
- Descartar agulhas em recipiente apropriado em local identificado como contaminado ou ser esterilizada rapidamente;
- Descartar agulhas com deformações (tortas), enferrujadas, ou com perda de corte;
- Separar uma agulha exclusivamente para a retirada da vacina do frasco, para evitar a contaminação de todo conteúdo do frasco;
- Descartar agulhas quando atingirem o prazo de validade estipulado pelo fabricante.

As indicações acima visam, entre outras coisas, evitar a disseminação de uma possível doença infecciosa para todo o lote tratado. Doenças virais (papilomatose, leucose, rinotraqueíte infecciosa), bacterianas (clostridioses) e até mesmo parasitárias (tristeza parasitária bovina) podem ser veiculadas de um animal para outro através da agulha contaminada. Portanto, possuir vários jogos de agulhas pode ser um fator muito importante no manejo sanitário do rebanho.

As pistolas devem ser calibradas com frequência para garantir que o volume correto da vacina esteja sendo aplicado nos animais. Volumes menores podem não proteger os animais e volumes maiores aumentam os custos do manejo sanitário. Uma forma simples de conferir o volume aplicado é retirar o embolo de uma seringa de plástico e preencher a seringa com água contida na pistola. Na seringa, o volume ejetado pode ser facilmente conferido.

Assim como durante o transporte, no dia do manejo as vacinas devem sempre ser mantidas numa caixa térmica contendo três partes de gelo para cada parte de vacina. Esta recomendação vale inclusive para os frascos abertos e para a pistola ou seringa mesmo no curto período entre as aplicações.

Contenção e aplicação

Na hora da aplicação, a condução dos bovinos deve objetivar pouca movimentação a fim de facilitar a contenção e imobilização do animal. A contenção deve, preferencialmente, ser realizada com o animal preso com auxílio de uma pescoceira que deixe em evidência a região ideal para a aplicação da vacina (tábua ou lateral do pescoço) (Figura 3).

A região da tábua do pescoço é indicada para evitar danos na carcaça, tais como hematomas e abcessos, em regiões de carnes nobres. Após o abate do animal, as regiões musculares com lesões (abcessos) são descartadas pelo frigorífico acarretando prejuízos econômicos ao produtor rural.

Como mencionado anteriormente, deve-se utilizar somente uma agulha para retirar a vacina do frasco (não utilizar nos animais), que deve ser agitado todas as vezes que a seringa for reabastecida, minimizando assim a contaminação do seu conteúdo e a disseminação de bactérias indesejáveis no momento da aplicação.


Figura 3: O triângulo verde indica a área mais indicada para aplicação de injeções em bovinos, enquanto o círculo vermelho indica a área que deve ser evitada (Arte: Emanuelle Baldo Gaspar).

Vias de aplicação

Subcutânea


É a via mais indicada para vacinas e vermífugos. O local ideal de aplicação é na tábua do pescoço ou atrás da paleta, onde se pode puxar facilmente a pele solta. Direciona-se a agulha obliquamente de cima para baixo, paralelamente ao corpo do animal (Figura 4A), recomenda-se ainda dobrar e puxar a pele do local.

Essas práticas são essenciais para impedir o refluxo do produto injetado e o desperdício da vacina, sendo uma importante causa de falha vacinal.

Quando volumes de aplicação acima de 5 mL são utilizados para bezerros e 10 mL para bovinos adultos, recomenda-se dividir a dose em diversas porções em locais diferentes. Atentar para as lesões que possam ser causadas na pele dos animais por falta de higiene ou erro na aplicação, pois estas podem ser uma porta de entrada de infecções, feridas e bicheiras.

Intramuscular

Deve ser preferencialmente aplicada no músculo da tábua do pescoço, a fim de evitar danos na musculatura da garupa, local erroneamente utilizado para aplicação de vacinas. Vacinas mal aplicadas podem ocasionar perdas de carcaça, por hematomas ou abcessos. Caso seja necessária a aplicação na garupa, devem-se evitar as partes próximas à espinha dorsal, pois podem ocorrer lesões no nervo ciático.

Com um golpe rápido e forte, a agulha é inserida a quatro ou cinco centímetros de profundidade do pescoço (a agulha tem de penetrar
perpendicularmente ao pescoço, para assegurar maior profundidade da aplicação) (Figura 4B). As vacinas com formulações oleosas são mais propensas a causar reações inflamatórias no local de aplicação.

Ao fazer uma injeção com seringa plástica, sempre após inserir a agulha e antes de aplicar a injeção é recomendado puxar o êmbolo da seringa, para certificar-se de que a ponta da agulha não está em um vaso sanguíneo (não se aplica para pistolas de injeção). Se o sangue penetra na seringa, a agulha deve ser retirada e inserida em outra direção ou em outro local.

Diferentes vacinas não devem ser combinadas na mesma injeção, a não ser que sejam embaladas pelo fabricante para serem misturadas subsequentemente. Entretanto, diferentes vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia para facilitar o manejo, mas nunca injetadas na mesma seringa ou pistola.


Figura 4: (A) Forma correta de aplicação da injeção subcutânea. A pele deve ser puxada para formar uma prega e deve-se introduzir a agulha paralelamente ao corpo do animal, de cima para baixo, permitindo a injeção no tecido subcutâneo e evitando refluxo do líquido. (B) Forma correta de aplicação de injeção intramuscular. A agulha deve ser introduzida perpendicularmente à tábua do pescoço permitindo a injeção dentro do tecido muscular.

Período pós-vacinal

Após o término do manejo de vacinação os animais devem ser reconduzidos, calmamente, ao local de permanência (piquete, potreiro, estábulo), visando sempre o manejo de menor estresse possível, a fim de evitar uma queda na resposta imunológica do animal recém-vacinado. Sempre que possível, disponibilizar um local com conforto térmico (sombra) e alimentação adequada e com oferta de água a vontade.

Tudo o que foi utilizado deve ser esterilizado, limpo, seco e bem acondicionado para a próxima utilização. No caso das seringas reutilizáveis e pistolas, elas devem ser desmontadas e lavadas em água corrente com detergente neutro. As peças de metal, bem como as agulhas utilizadas e ainda não esterilizadas, devem ser fervidas em água limpa durante 15 minutos para matar os microrganismos que possam estar presentes nesses materiais.

Após essa fase de lavagem, esterilização e secagem é recomendado que todo o material seja guardado em recipiente limpo e seco. No caso das pistolas, elas devem ser novamente montadas e lubrificadas com vaselina líquida para aumentar seu tempo de uso.

O material biológico (sobras de frascos abertos ainda com vacina) ou ampolas usadas parcialmente e que não foram utilizadas por completo devem ser descartadas e incineradas juntamente com os frascos vazios, a fim de se evitar contaminação do ambiente e risco biológico de contato com pessoas ou animais.

Alguns locais de comercialização podem oferecer o recolhimento desse material descartado (logística reversa) como já acontece com alguns produtos agropecuários. Nunca utilizar produtos com frascos abertos (sobras) ou vencidos.

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