Uso de DDG na nutrição animal

Postado em: 17/03/2022 - 6 min de leitura

Uso de DDG na nutrição animal
Na criação de bovinos, a alimentação representa quase 70% dos custos para o pecuarista. Dessa forma, há uma procura por produtos que mantenham a qualidade da alimentação para o animal, porém, com preços reduzidos. Com a intensificação dos sistemas de confinamento, essa busca torna-se ainda mais importante. O uso de alimentos como DDGs (dry distillers grains), ou grãos secos de destilaria, pode ser um grande aliado, já que ajuda a aumentar o ganho médio diário (GMD) e melhora a eficiência alimentar.
 
DDG é um subproduto composto por grãos secos, extraídos por destilação. Essa opção de alimentação de ruminantes ou mais especificamente de bovinos é considerada uma alternativa econômica viável e de alta qualidade proteica para o animal.
 
Estes co-produtos durante muito tempo foram utilizados somente como alimento proteico alternativo. Atualmente sabemos que também pode ser incluído em maiores níveis na dieta. Como é um alimento com baixo teor de amido (possui cerca de 1% de amido residual) e alto teor de fibra digestível, sua inclusão em dietas de alta energia, colabora para redução de riscos de distúrbios digestivos, como acidose.
 
No Brasil, a utilização de DDG na alimentação de ruminantes ainda é leniente, devido à produção de etanol ser quase em sua totalidade advinda da cana-de-açúcar, o que diminui a disponibilidade de DDG no mercado. Existem no País cerca de 10 indústrias que produzem DDG, sendo o Mato Grosso o principal produtor. Porém, a estimativa de produção é de aumento, para 3,021 bilhões de litros de etanol de grão de milho (+80%; 2020/2021 - CONAB). Como 1000 litros de etanol produzem 950 kg DDG, existe a possibilidade de produção de 2,86 milhões de toneladas de DDG.
 
Com a demanda crescente por biocombustíveis, aliada às vantagens em se produzir etanol a partir do milho, as projeções indicam que até 2027/2028 a produção de etanol saltará para 7,5 bilhões de litros, o que levará a uma oferta para o mercado de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de DDG. Com o expressivo aumento na disponibilidade desse insumo, a tendência é que seu preço diminua e, assim como aconteceu nos Estados Unidos, esse insumo passe a ser utilizado como fonte proteica e energética nas formulações.
 
Tipos de DDG
 
Existem 3 tipos de DDG, dependendo da forma como ele é produzido pela indústria:
 
1) Dry Distillers Grains (DDG): grão seco de destilaria.
 
2) Dry Distillers Grains with Solubles (DDGS): grão seco de destilaria com adição de solúveis. Além disso, existem o DDGS alta proteína (High protein) e o DDGS alta fibra (Bran + Solubles).
 
3) Wet Distillers Grains with Solubles (WDGS): Grão úmido de destilaria com solúveis 
 
Implicações nutricionais do uso de DDG
 
Observe abaixo uma comparação entre o milho e o DDG:
 
• (+) FDN = 12% para 32% 
• (+) PB = 8% para 30% 
• PNDR = 65% da PB 
• (+) Extrato etéreo = 4% para 10% 
• (-) Amido = 71% para 6% 
• (+) Fósforo = 0,3% para 0,9% 
• (+) Enxofre = 0,04% para 0,6-1,0%  
 
Um aspecto importante do DDG é o aumento do teor de fibra de alta qualidade, que auxilia na manutenção da saúde ruminal. Além disso, boa parte da proteína do DDG é proteína não degradada no rúmen, de forma que o uso de DDG na dieta de ruminantes tende a aumentar o teor de proteína metabolizável, ou seja, a proteína disponível para o metabolismo animal. Por suas características, a proteína do DDG tem uma eficiência energética maior do que as proteínas que têm maior degradação no ambiente ruminal. 
 
Outro ponto interessante é que o extrato etéreo do DDG tem maior digestibilidade do que o óleo do milho, tendo menos efeito deletério no intestino do animal, preservando mais ácidos graxos essenciais. 
 
Além disso, existe a questão da redução do amido, que, além disso, tem baixa digestibilidade, pois passou por um processo fermentativo. Todas as demais características do DDG compensam essa questão do amido. Além disso, menos amido reduz o risco de acidose ruminal, melhorando o ambiente ruminal e até mesmo podendo levar a uma redução dos alimentos volumosos na dieta. 
 
Deve-se tomar cuidado, no entanto, com o maior teor de enxofre do DDG que, se representar uma porcentagem grande da dieta, pode causar a polioencefalomalácia, reduzir o desempenho, reduzir o consumo de matéria seca ou algumas alterações no fígado. 

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Vantagens e desvantagens do uso de DDG e WDG na composição de dietas para bovinos

Vantagens:
 
  • Esses coprodutos apresentam, aproximadamente, 30% de proteína bruta, um produto considerado uma fonte proteica, substituindo o farelo de soja por exemplo.
  • Podem ser utilizados também como concentrado energético, pois o DDG também possui bons níveis de energia em sua composição.
  • Por serem ricos em fibras e pobres em amido (1% de amido residual), podem ser utilizados para diminuir a acidose ruminal, um problema comum em dietas “quentes”, na qual a proporção de concentrado é muito superior à de volumoso.
  • Bom custo-benefício na comparação com outros alimentos energéticos proteicos utilizados na composição das dietas dos bovinos.
Desvantagens:
 
  • O WDG tem alto teor de umidade (aproximadamente 70%). A alta umidade tem impacto no transporte, inviabilizando, dessa maneira, seu uso em propriedades distantes das usinas.
  • O WDG tem sua vida útil, em média, de aproximadamente 3 a 4 dias, caso seja mantido exposto ao oxigênio ou em galpões cobertos. Para extensão da vida útil do produto, é necessário que seja ensilado. Já há estudos mostrando que, quando ensilado de forma anaeróbica, seu tempo de conservação aumenta.
 
Conclusão
 
O DDG é um ingrediente muito versátil e pode substituir tanto a fonte proteica quanto a fonte energética da dieta ou do suplemento. É importante que o produtor rural avalie o custo deste produto e quanto dele vai entrar na formulação do seu suplemento ou da sua dieta e se vai, realmente, trazer um "custo x benefício" melhor. 
 
Para chegar a uma boa relação custo-benefício com o DDG, o pecuarista precisa levar em consideração alguns pontos importantes, como a composição que ele tem do produto para saber se tem uma fonte de proteína ou de energia na dieta, além da  distância que terá que transportar, devido ao custo do frete.
 
O DDG pode substituir o milho, a soja ou o farelo de algodão, seja o ingrediente que utilizado na sua fazenda, energético ou proteico. É possível alcançar um excelente resultado com relação ao desempenho dos animais com o manejo alimentar correto. Vale ressaltar que o produtor rural deve sempre consultar um nutricionista capacitado para ajudar a formular o suplemento na fazenda ou a dieta dos animais em terminação.
 
Mais informações: 
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Telefone: (19) 3432-2199
WhatsApp (19) 99817- 4082 
 
 
Fontes:
 
VANTAGENS E DESVANTAGENS NO USO DE DDG E WDG NA ALIMENTAÇÃO ANIMAL (https://www.minervafoods.com/posts-pecuaristas/vantagens-e-desvantagens-no-uso-de-ddg-e-wdg-na-alimentacao-animal/)
 
DDG, concentrado de proteína, deve ter aumento de exportação, diz consultoria (https://www.canalrural.com.br/sites-e-especiais/mais-milho/consultoria-ddg-concentrado-em-proteina-deve-ter-aumento-de-exportacao/)
 
Posso fornecer DDG puro para o gado? Ele substitui quais ingredientes da dieta? (https://www.girodoboi.com.br/noticias/posso-fornecer-ddg-puro-para-o-gado-ele-substitui-quais-ingredientes-da-dieta/)
 
Por dentro do cocho: O que precisamos saber quando falamos em DDG? (https://agroceresmultimix.com.br/blog/por-dentro-do-cocho-o-que-precisamos-saber-quando-falamos-em-ddg/)
 
BIZUCA, R.R.S. Etanol de milho e seu coproduto DDG na nutrição de bovinos terminados em confinamento (https://repositorio.pucgoias.edu.br/jspui/handle/123456789/1045) 
 
Por que usar DDG na alimentação de bovinos confinados? (https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-geral/nutricao-de-bovinos-de-corte-ddg-em-confinamento/)

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