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Postado em: 10/01/2020

Marina Danés: "a variabilidade é o inverso da nutrição de precisão"

Artigo publicado anteriormente no site MilkPoint.

O tema nutrição de precisão tem sido amplamente discutido em diversos veículos especializados, como o MilkPoint, além de eventos especializados. Quando se fala em nutrição de precisão, imagina-se, num primeiro momento, o uso de medidas altamente tecnológicas para melhorar a eficiência alimentar de rebanhos leiteiros. No entanto, a nutrição de precisão pode ser praticada com a introdução de algumas práticas de manejo e medidas simples que podem auxiliar técnicos e produtores a obterem melhor eficiência da dieta utilizada na alimentação de rebanhos leiteiros.

O principal objetivo da nutrição de precisão é oferecer diariamente uma dieta mais próxima o possível das exigências do animal. 

Confira abaixo uma palestra gratuita realizada pelo site MilkPoint com a professora Marina de Arruda Camargo Danés, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), PhD em Dairy Science pela University of Wisconsin – Madison, com grande experiência na área de nutrição de bovinos leiteiros.

Confira o vídeo abaixo:
 


Principais tópicos

“A nutrição de precisão tem o objetivo de oferecer diariamente uma dieta para os animais mais próxima o possível das suas exigências”

“É necessário muita eficiência na nutrição dos animais visando melhorias do rendimento econômico. Várias etapas devem ser consideradas: a) características dos animais; b) características dos alimentos; c) alimentação de um programa no computador; d) elaboração de uma dieta; e) mistura dos alimentos e distribuição no cocho; f) seleção dos alimentos pelas vacas”

“Deve haver um balanceamento adequado da dieta para que nutrientes não sejam jogados fora e as vacas não fiquem supercondicionadas. Dessa forma, evita-se também problemas no parto e distúrbios metabólicos. Uma das possíveis soluções é o agrupamento de vacas de acordo com as suas exigências – diminuindo as chances de desperdícios”

“A porcentagem de matéria seca (MS) dos ingredientes úmidos deve ser medida todas as semanas e consequentemente ajustada para não haver perdas. A amostragem dos alimentos deve ser realizada de forma cautelosa e, para isso, a fazenda precisa treinar os amostradores e ter em mãos um protocolo para cada alimento”

“Os alimentos devem ser bem misturados no vagão forrageiro e há algumas formas de analisar a mistura, como a auditoria de TRM, que indica se o vagão misturou bem e distribuiu no cocho todo. Essa análise permite conhecermos se a dieta formulada é a mesma que está sendo distribuída”

“A variabilidade é o inverso da precisão. Auditorias devem ser feitas para que os desperdícios sejam identificados em todo o processo, melhorando o rendimento”

“Inicialmente, a dieta é formulada baseada basicamente na produção de leite, consumo e semana de lactação na qual o animal se encontra. Porém, a realidade é diferente. Por isso é importante sempre medir o consumo da matéria seca pelos animais porque ajustes normalmente são necessários já que variam caso a caso. Dessa forma, consegue-se formular uma dieta melhor, controlar as sobras, planejar a quantidade de alimentos. O indicativo ‘consumo de matéria seca’ é quantitativo”

“Um exemplo de indicativo qualitativo é a avaliação de cocho, pois analisa a acessibilidade, disponibilidade e seleção dos alimentos pelos animais. A análise do leite também pode ser utilizada porque avalia realmente o que a vaca ingeriu e se houve alguma alteração de algum componente do leite, como a proteína”

“Não adianta só fazer a coleta dos dados, é necessário integrá-los”

“A automação na coleta dos dados, tecnologia que vem sendo cada vez mais usada na pecuária leiteira, traz algumas vantagens, como um sistema de alerta que avisa sobre alguma mudança brusca nos animais. Por exemplo: durante a ordenha, é possível analisar a produção e composição do leite, escore de condição corporal e peso vivo. Isso permite o monitoramento da dieta, cálculos nutricionais e estimativa de consumo dos alimentos”

“Ainda sobre novas tecnologias, o colar de ruminação nos permite analisar informações individuais e do lote, como, minutos de ruminação/dia, linha basal individual ou do lote e variação entre os dias ou do lote. Por meio desses dados fornecidos pelo colar é possível conhecer a porcentagem de vacas que estão ruminando, horários das atividades dos animais, estresse e outros problemas”

“Não devemos esquecer que paralelo à automação, deve haver uma assistência técnica especializada. Além disso, o olhar dos funcionários deve continuar existindo, pois os sinais que as vacas dão sempre são importantes”

“Sair da zona de conforto buscando a profissionalização não é sempre fácil, é um desafio. Deve ocorrer uma mudança no modelo mental dos produtores e funcionários da fazenda”

“A precisão permite mais informações, controle e tecnologias. E, menos variações, margem de erros e desperdício. No geral, isso resulta em maior eficiência e sustentabilidade”

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Para quem quiser saber mais sobre o assunto, Marina Danés também é instrutora do curso online Nutrição de precisão aplicada, do EducaPoint.

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