Casos de hiperqueratose no rebanho? Entenda as possíveis causas!

Postado em: 06/04/2022 - 3 min de leitura

Casos de hiperqueratose no rebanho? Entenda as possíveis causas!
A hiperqueratose da extremidade dos tetos de vacas leiteiras é um aumento da pele que recobre a região do canal do teto e orifício externo. Podem ainda ser empregados diversos termos para descrever estas alterações dos tetos, como: formação de calos, calosidade, cornificação e outros nomes populares.
 
Analisando histologicamente o tecido da extremidade dos tetos, pode-se observar que a hiperqueratose é o resultado da hiperplasia (aumento do número de células) do extrato córneo das camadas da pele nesta região. Sendo assim, os termos muito utilizados como inversão, eversão ou prolapso dos tetos seriam incorretos.
 
De maneira simplificada, a hiperqueratose representa um crescimento excessivo da pele do teto, ou seja, trata-se de uma resposta fisiológica normal da pele dos tetos em relação à ação do equipamento de ordenha, ordenha manual ou do próprio bezerro. O início e a severidade dessa condição são afetados enormemente pelo clima e condições ambientais, manejo de ordenha, nível de produção de leite e ainda pela variação genética individual. Estas alterações não aparecem de forma súbita e sim no longo prazo, entre 2 a 8 semanas.
 
Como esperado, a ocorrência de hiperqueratose dos tetos é mais comum em rebanhos com altas produções, devido ao maior desafio dos tetos pelo maior tempo de ordenha. Nos países temperados, o inverno é a estação mais propícia para o aparecimento da hiperqueratose.
 
Diversos mecanismos e causas têm sido levantados para esta condição, as quais podem ser agrupadas nas seguintes:
 
  • Funcionamento inadequado do equipamento de ordenha;
  • Nível de produção;
  • Condições ambientais;
  • Agentes infecciosos;
  • Genética, etc.
 
Os principais fatores que afetam a ocorrência de hiperqueratoseincluem: a forma do teto, produção de leite, pico do fluxo de leite durante a ordenha, duração da ordenha e sobre-ordenha, estágio e número de lactação e as interações entre manejo e equipamento de ordenha.

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Vacas que apresentam tetos com forma irregular, mal posicionados ou tamanho inadequado para a ordenha mecânica têm maior chance de aparecimento de hiperqueratose, independentemente do equipamento e do manejo de ordenha. Entre as causas infecciosas, destacam-se as infecções por herpesvirus, que causam lesões nos tetos e dificuldade maior para a ordenha destes animais e maior risco de mastite.
 
Quanto às alterações relacionadas ao equipamento de ordenha, deve-se enfatizar que ambos, o manejo e o equipamento de ordenha, podem estar relacionados ao problema. O grau de hiperqueratose dos tetos pode estar diretamente relacionado com a duração e manejo da ordenha, sendo que o problema pode estar no baixo fluxo de leite/alto vácuo no início e final da ordenha. 
 
Outra causa importante é a sobre-ordenha (ordenha prolongada sem fluxo de leite), geralmente causada pela inadequada preparação do úbere antes da ordenha, o que resulta em pouca ejeção do leite. Isto indica que o aparecimento de hiperqueratose não está necessariamente relacionado apenas com altos níveis de vácuo do equipamento de ordenha. Em alguns casos, a simples redução do nível de vácuo do sistema pode aumentar o tempo total de ordenha e agravar ainda mais o problema. Mesmo considerando que em um mesmo rebanho todos os animais são ordenhados todos os dias pelo mesmo equipamento e pelos mesmos ordenhadores, o equipamento de ordenha é uma das causas mais apontadas para explicar o aparecimento desta condição.
 
Entre as várias recomendações para o funcionamento da pulsação do equipamento de ordenha, destaca-se que a fase de massagem dos tetos deve ser de pelo menos 15% do ciclo completo. Quando os pulsadores encontram-se funcionando de forma inadequada e a fase de massagem é menor, existe probabilidade de aparecimento de hiperqueratose.
 
Como verificar se há hiperqueratose nos tetos?
 
É necessário avaliar imediatamente os tetos após o término da ordenha, antes da aplicação do pós-dipping. Além disso, deve-se observar as extremidade dos tetos de forma individual e se houver leite residual deve seca-lo com papel toalha para melhor observação;
 
Por fim, algumas medidas devem ser tomadas para evitar a ocorrência de hiperqueratose como:
 
  • Manter a manutenção do equipamento de ordenha em dia de acordo com a recomendação do fabricante;
  • Buscar a utilização de produtos adequados para higienização do teto;
  • Evitar sobre-ordenha.
 
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Fontes:
 
Hiperqueratose dos tetos e sua influência na mastite - Parte 1 (https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/hiperqueratose-dos-tetos-e-sua-influencia-na-mastite-parte-1-16244n.aspx)
 
Hiperqueratose dos tetos, por Dezirrê Costa (https://zootecniabrasil.com/2020/10/26/hiperqueratose-dos-tetos/) 

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