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Postado em: 08/05/2019

A importância dos bicos das mamadeiras no processo de colostragem/aleitamento

Por Viviane Gomes e Karen Nascimento.

Artigo publicado anteriormente no site MilkPoint.

A colostragem deve ser realizada logo após o nascimento (≤ 18 horas de vida) para a transferência de anticorpos das vacas para as bezerras recém-nascidas, que nascem sem níveis detectáveis de anticorpos na circulação sanguínea, porque não há passagem de anticorpos maternos pela placenta durante a gestação das vacas. No Brasil, muitos produtores ainda permitem que bezerras façam a ingestão de colostro diretamente na sua mãe nas primeiras 24 horas de vida, por questões de praticidade e otimização da mão de obra no horário comercial. Por outro lado, este método natural não permite o monitoramento dos partos e o controle dos 3 Q´s da colostragem: Qualidade, Quantidade e Quão rápido (Figura 1).

Este manejo pode resultar em maiores taxas de mortalidade perinatal e falha na transferência de imunidade passiva. Analisando todos estes fatores, o método mais indicado para realizar a colostragem é o artificial com o uso de mamadeiras.

Figura 1. Os três Q’s da colostragem.

Neste contexto, deve-se atentar para detalhes relativos aos bicos das mamadeiras usados no processo de colostragem, geralmente negligenciados na maioria das propriedades leiteiras. Atenção com a qualidade do material, tamanho do furo dos bicos, assim como a sua higiene são essências na hora de pensar em ofertar um alimento de qualidade para as bezerras, principalmente quando o assunto é a colostragem.

Quando as bezerras se alimentam diretamente no teto da vaca, elas precisam sugar para estimular a liberação do hormônio ocitocina na corrente sanguínea da vaca com posterior liberação do leite. Neste processo, a bezerra ingere um litro de leite entre 4 a 5 minutos, com a produção de saliva, que contém enzimas que ajudam no processo de digestão da lactose (açúcar do leite).

Na mamada artificial com a mamadeira, os bicos obrigatoriamente devem desencadear toda a cascata de eventos fisiológicos (normais) estabelecidos entre mãe e bezerra, desde o estímulo da produção de leite pelas mães até a sua digestão pelas proles (filhas). Assim, as bezerras ficarão mais saciadas e tranquilas.

Quanto ao formato, à escolha dos bicos deve ser bem analisada, pois alguns deles são fabricados com detalhes, riscos ou ranhuras, que dificultam a limpeza e facilita o acúmulo de restos de alimentos, com a proliferação de bactérias (Escherichia coli e Salmonella, dentre outras) envolvidas na etiologia das diarreias (Figura 2).

Figura 2. Acúmulo de restos de alimento que facilita a proliferação de bactérias em um bico detalhado com riscos/ ranhuras.

Os bicos devem ser fabricados com borracha flexível e macia, sendo indicados os produtos à base de PVC e Látex (Figura 3). Em um dos nosso experimentos notamos que as bezerras apresentavam muita dificuldade para ingerir o volume mínimo de colostro (ao redor de 4 litros) usando bico de silicone (rígido) nas primeiras 18 horas de vida. As bezerras não tinham força para sugar e apertar o bico, principalmente os animais menores oriundos de partos distócicos (trabalhosos). Ao realizar a troca do bico de silicone por bicos de PVC bem mais flexível e macio, notou-se que o manejo na hora de administrar o colostro ficou bem mais fácil, o que fez diferença no volume de colostro ingerido no 1º dia de vida.

Figura 3. Bico de PVC, um dos materiais indicado para a administração de colostro, devido sua maciez o que facilita o estimulo de sucção da bezerra.

Além do tipo de material, o tamanho e formato dos bicos também são importantes. Os bicos com maiores diâmetros (largos) ou longos podem causar irritação na parte interna da boca das bezerras, além de dificultar o processo de sucção. O teto de uma vaca Holandesa tem aproximadamente 8 a 10 cm de comprimento como mostra a figura 1. Em relação ao formato, os bicos são arredondados e uniformes com o orifício pequeno central, conforme demonstrado na figura 4.

Figura 4. Formato normal do teto de uma vaca da raça Holandesa.

É necessário realizar o furo nos bicos para a passagem do leite, pois a maioria dos fabricantes produz bicos sem o orifício. Na prática, os próprios colaboradores da maternidade furam os bicos de forma errônea com canivetes, facas ou até mesmo com tesouras, o que geralmente resulta em furos muito grandes. Muitos acreditam que os furos grandes facilitam a ingestão de colostro, porém quanto maior for o furo, maior serão as chances de prejudicar a saúde das bezerras (Figuras 5, 6 e 7).

Furos grandes aumentam a velocidade do fluxo de saída do leite e aumentam a probabilidade de a bezerra fazer falsa via (o leite vai para o pulmão ao invés de ir para o abomaso), desencadeando um processo posterior de broncopneumonia necrosante. Os colaboradores da maternidade geralmente relatam que as bezerras possuíam dificuldade respiratória ao nascer, mas na verdade estavam fazendo falsa via devido à um simples erro no furo das mamadeiras.

Figura 5. Várias tentativas de furo que causou algumas ranhuras no rasgo. Nestes casos, o colaborador do bezerreiro precisará ter mais cautela ao realizar a higienização, pois os rasgos favorecem  a proliferação bacteriana.

Figura 6. Furo com diâmetro muito grande, o que aumenta a velocidade de saída do leite de forma exagerada, prejudicando a saúde das bezerras.

Figura 7. Bico com um longo tempo de uso, sendo possível notar um desgaste na região do furo amplamente largo e com acúmulo de bactérias (área esbranquiçada) no seu interior.

O recomendado para realizar o furo no bico da mamadeira é esquentar uma agulha no fogo e logo em seguida fazer um orifício com um diâmetro pequeno (Figura 8). O furo deve ter um tamanho suficiente para que o leite apenas goteje, quando a mamadeira for virada de cabeça para baixo, assim fará com que as bezerras sejam estimuladas a terem o reflexo de sucção.

Figura 8. Procedimento indicado para furar o bico das mamadeiras com uma agulha.

Os utensílios devem estar sempre limpos, bem higienizados e em boas condições de uso ao administrar colostro e/ou leite para as bezerras. O ideal é nunca deixar os bicos, mamadeiras e baldes sujos com restos de alimentos, expostos ao ambiente por muito tempo, pois neste período ocorre a proliferação de bactérias que prejudicam a saúde intestinal das bezerras. Após o uso, os utensílios devem ser lavados com água e detergente comum, usar escovas apropriadas para remover o excesso de sujeira interna, enxaguar com muita água corrente, em seguida deixar os utensílios de molho em solução contendo solução de hipoclorito com 1 a 2% de cloro ativo até a próxima amamentação (Figura 9). Os utensílios devem ser enxaguados com água corrente antes do próximo uso. A água sanitária é uma solução que contém 2.5% de cloro ativo em água.

Figura 9. Na primeira imagem (esquerda) é possível observar que os bicos não estão completamente imersos na solução hiperclorada (incorreto). Na figura da direita é possível observar a maneira exata de deixar os bicos de molho, mantendo-os completamente imersos em solução clorada.

Os bicos devem ser esfregados com escovas específicas para bicos de mamadeiras de bebês, existindo no mercado uma ampla variedade de escovas para ambos mamadeiras e bicos (Figura 10).

Figura 10. Escovas ideias para lavar e esfregar por dentro de bicos e mamadeiras com o objetivo de remover todo o resto de colostro e leite acumulados entre os aleitamentos.

É preciso atenção ao tempo de vida útil dos bicos usados no aleitamento das bezerras, pois eles desgastam com o tempo e precisam ser trocados periodicamente. Em geral, o tempo de vida útil de um bico usado diariamente é de oito semanas.

Algumas fazendas que utilizam colostro em pó ou sucedâneo devem tomar cuidado com a diluição desses produtos, caso contrário pode causar um entupimento do bico, dificultando a ingestão do alimento pelas bezerras. Ao notar que as bezerras estão tendo dificuldade para sugar o líquido, deve-se suspender o processo de aleitamento para lavar e desentupir o orifício, diluir bem o produto e só depois administrá-lo novamente aos animais.

Sendo assim, os cuidados com os bicos vão muito além do que poderíamos imaginar. É necessária muita cautela na hora de adquirir os bicos. Nada de bicos muito largos ou grandes demais; o formato dos bicos devem assemelhar-se o mais próximo possível do formato normal do teto da vaca; os bicos devem ser macios, de preferência que seja de látex ou pvc para facilitar a sucção do líquido; os bicos não devem conter nenhum tipo de ranhura, evitando a proliferação de bactérias; o furo dos bicos precisa ter diâmetro suficiente para que o leite apenas goteje, quando a mamadeira for virada de cabeça para baixo; os bicos e mamadeiras devem estar sempre limpos, desinfetados e em boas condições de uso ao administrar colostro e/ou leite para as bezerras.

Os bicos representam um cuidado e investimento mínimo que trará retorno imediato no processo de colostragem e saúde das bezerras.

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