Limpeza e desinfecção dos equipamentos de ordenha

Postado em: 05/04/2022 - 8 min de leitura

Limpeza e desinfecção dos equipamentos de ordenha
Um dos pilares básicos para a produção de leite de alta qualidade, uma demanda recente de indústrias e consumidores, é a adequada limpeza e desinfecção de equipamentos de ordenha e tanques.
 
Os sistemas de ordenha apresentam grandes superfícies de contato, as quais requerem adequados procedimentos de limpeza. Os resíduos de leite que se aderem às superfícies são locais ideais para a multiplicação bacteriana, que contamina o leite durante a ordenha, pois o fluxo de leite retira estas bactérias e as carreiam para dentro do tanque resfriador.
 
O principal objetivo da limpeza e desinfecção é fazer com que o equipamento não aumente a carga microbiana do leite após a sua ordenha.
 
Design do equipamento e eficiência da limpeza
 
Embora os equipamentos de ordenha possam variar amplamente quanto ao design e configurações, os sistemas de leite canalizado usam a limpeza tipo CIP (clean in place = limpeza no local), que nada mais é do que a limpeza por circulação.
 
Neste caso, as soluções de limpeza devem ser transportadas a partir do tanque de limpeza para as demais partes do equipamento que entram em contato com o leite. Deve-se assegurar que as soluções entrem em contato por tempo suficiente e com ação física mínima para uma limpeza adequada.
 
A velocidade e o padrão do fluxo das soluções de limpeza variam de acordo com o componente do sistema de ordenha, em função do diâmetro. Em sistemas mais modernos é usada a injeção de ar para produzir um fluxo lento que permite maior contato com as superfícies a serem limpas.
 
Grande parte dos problemas de limpeza de equipamentos tem origem em deficiências de instalação, dimensionamento e construção de salas de ordenha, cujo design não foi planejado de forma a garantir a eficiência da limpeza.
 
Alguns conceitos fundamentais devem ser levados em conta para reduzir problemas de limpeza de sistemas de ordenha. Deve-se planejar sistemas de ordenha que sejam simples, pois cada aumento de tubulação por onde passam o leite impõe desafio à limpeza.
 
As configurações preferenciais são aquelas que minimizam o tamanho das linhas de leite e de limpeza, com menor número de emendas e conexões. Por exemplo, a unidade final, o tanque de limpeza e o tanque resfriador devem ficar o mais próximo possível.
 
A pia de limpeza deve ficar próximo ao tanque resfriador para facilitar a mudança entre ordenha e limpeza das tubulações de leite. A distância da unidade final para a sala de leite deve ser mínima para reduzir o volume de soluções de limpeza, perdas de calor e dificuldades de controlar a circulação das soluções.
 
O centro de ordenha deve ser planejado de forma a facilitar a drenagem dos resíduos de limpeza, os quais são produzidos em grandes volumes. É fundamental um bom desnível e sistema de drenagem que tenha capacidade de retirar grandes volumes de água do fosso e das demais áreas durante a limpeza.
 
As linhas de leite devem ser dimensionadas para ter desnível entre 0,5 a 2% em direção da unidade final para facilitar o escoamento do leite durante a ordenha, enquanto as demais mangueiras e tubulações devem ser instaladas de forma a facilitar a drenagem por gravidade entre os ciclos e após o final da limpeza.
 
A boa drenagem é fundamental, pois os resíduos são locais de intensa multiplicação de microrganismos que levam à alta contaminação do leite. Todas as tubulações devem drenar os resíduos quando o equipamento está desligado.
 
No sistema CIP, durante a limpeza as unidades de ordenha são conectadas à linha de limpeza, permitindo a circulação completa das soluções de limpeza. Com o objetivo de aumentar a turbulência e a eficiência da ordenha, podem ser instalados injetores de ar na linha de leite ou na de limpeza.
 
Tipos de resíduos nas tubulações e equipamentos de ordenha
 
Existem dois tipos de resíduos que podem estar presentes no equipamento de ordenha: orgânicos e minerais. As características de cada um deles são importantes para saber como fazer a limpeza correta.
 
Resíduos orgânicos
 
Os resíduos orgânicos são compostos pela proteína, gordura e lactose do leite. Devido a sua alta complexidade e diversidade, estes compostos podem se aderir com mais ou menos intensidade à tubulação, dependendo da umidade, temperatura e tempo de contato.
 
Estes resíduos, portanto, devem ser retirados o mais rapidamente possível, para reduzir a sua adesão, o que dificulta a remoção. O início imediato das operações de limpeza após o término da ordenha é um dos requerimentos para se evitar o depósito de componentes orgânicos.
 
A remoção da gordura do leite depende da alcalinidade (pH) e temperatura da solução de limpeza. Considerando que a gordura do leite tende a se solidificar em temperaturas abaixo de 35oC, é fundamental que as soluções de limpeza sejam mantidas sempre acima de 38oC durante todos os ciclos.
 
Em temperaturas inferiores ocorre maior deposição de gordura, resultando em dificuldade de remoção. Adicionalmente, os detergentes devem conter uma alcalinidade suficiente para quebrar os glóbulos de gordura (processo chamado de emulsificação) que facilita sua remoção no enxágue.
 
Quanto à proteína, pode ocorrer formação de filme incolor, ou amarelo se ocorrer grande acúmulo, bastante difícil para remoção. Deve-se usar um detergente alcalino clorado para a sua remoção, cuja ação é quebrar a proteína em moléculas menores, tornando mais fácil a sua remoção.
 
 
Resíduos minerais
 
Os resíduos minerais (inorgânicos) são compostos pelos vários sais minerais presentes no leite e na água de limpeza, como cálcio, magnésio e ferro. Caso não sejam adequadamente removidos, estes sais sofrem precipitação e se aderem firmemente ao equipamento.
 
Curiosamente, quando ocorre precipitação dos minerais, parte dos resíduos orgânicos ficam retidos e formam um filme que após certo período de tempo é conhecido como pedra do leite. Este filme é um excelente local para o desenvolvimento de bactérias contaminantes, caso haja umidade suficiente.
 
Parte da formação da pedra do leite está ligada a dureza da água, que deve ser sempre levada em conta para a adequação das concentrações de detergente, caso necessário. A remoção da pedra do leite é feita com solução de detergente ácido.
 
 
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Detergente ácido e detergente alcalino
 
A limpeza e remoção efetiva dos resíduos de leite do interior do equipamento de ordenha são obtidas pela combinação da ação mecânica e química. A ação química é dependente da detergência e da capacidade dos agentes químicos converter compostos insolúveis em solúveis, possibilitando a sua remoção. Alguns termos são utilizados para descrever a ação dos vários componentes dos agentes de limpeza:
 
 
Os principais agentes de limpeza usados são os detergentes alcalinos e os detergentes ácidos.
 
Detergentes alcalinos: apresentam em sua composição substâncias alcalinas, cuja função principal é atuar quimicamente na remoção de compostos orgânicos das superfícies dos equipamentos. Estes agentes não atuam sobre a pedra do leite.
 
Entre os principais ingredientes estão: álcalis, fosfatos, umectantes, agentes quelantes e sequestradores. Os álcalis (como o hidróxido de sódio e carbonato de sódio) promovem a saponificação da gordura, enquanto os fosfatos (orto e polifosfato) auxiliam na redução da dureza da água, e atuam como emulsificantes e dispersantes.
 
Os agentes umectantes facilitam a penetração da solução e auxiliam na remoção da proteína, visto que o cloro atua quebrando a proteína em peptídeos menores, os quais são mais facilmente removidos.
 
Detergentes ácidos: São produtos formulados com ácidos orgânicos, inorgânicos ou em combinação. Sua função principal é remover os fatores inorgânicos (pedra do leite). Sua ação química ocorre pela conversão de minerais insolúveis na água, tornando-os solúveis e permitindo a sua remoção pelas soluções de limpeza.
 
Estes agentes não atuam em resíduos orgânicos e devem ser usados após o detergente alcalino. Como pode ser observado, nenhum produto para limpeza de ordenha consegue de forma isolada remover todos os resíduos do leite.
 
Sanitizantes: o objetivo principal do uso de sanitizantes em sistemas de ordenha é reduzir a contaminação bacteriana existente entre duas ordenhas. Preferencialmente, devem ser aplicados imediatamente antes do início da ordenha, reduzindo a presença de microrganismos que se multiplicam nos resíduos de leite que não foram removidos pela limpeza.
 
Entre os compostos mais utilizados na sanitização estão produtos à base de cloro (hipoclorito), iodo e amônia quaternária. Os produtos a base de cloro são muito usados em função do preço, e da boa capacidade germicida, no entanto, deve se ter cuidado especial com a armazenagem, pois pode ocorrer perda de cloro por volatilização, tornando-o produto menos eficaz.
 
O que afeta a ação dos detergentes?
 
Os principais fatores que afetam a ação dos detergentes são:
 
  • Concentração;
  • Temperatura;
  • Tempo de contato;
  • Limpeza manual;
  • Qualidade da água.
 
Concentração dos detergentes ácido e alcalino
 
Para a máxima eficácia, os produtos para limpeza devem ser utilizados de acordo com as recomendações do fabricante. Isto envolve a necessidade de medir a quantidade de água e do produto para atingir a concentração adequada.
 
Baixas concentrações têm como resultado uma limpeza incompleta pela ação química, enquanto que o excesso (altas concentrações) pode causar deposições, reduzir a eficiência e aumentar o custo da limpeza. Elevadas concentrações podem causar corrosão e formação de filmes no equipamento.
 
Temperatura dos detergentes ácido e alcalino
 
Cada detergente possui uma faixa de temperatura ótima para maximizar a sua ação química. Por exemplo, em baixas temperaturas a ação química é diminuída e em temperaturas muito elevadas alguns ingredientes podem ser degradados.
 
A atividade das soluções de limpeza geralmente melhora com o aumento da temperatura, entretanto temperaturas demasiadamente altas causam volatilização de certos ingredientes dos detergentes.

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Fonte:
 
Limpeza e desinfecção dos equipamentos de ordenha e tanques de expansão (https://www.milkpoint.com.br/colunas/marco-veiga-dos-santos/limpeza-e-desinfeccao-de-equipamentos-de-ordenha-e-tanques-parte-1-18184n.aspx)
 

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