Mastite por Staphylococcus aureus: o que você precisa saber

Postado em: 25/10/2021 - 8 min de leitura

Mastite por Staphylococcus aureus: o que você precisa saber
O Staphylococcus aureus é um dos patógenos mais importantes causadores da mastite em muitas fazendas em todo o mundo e tem um impacto econômico considerável nas fazendas, sendo considerado um dos principais patógenos da mastite. Uma das razões pelas quais é considerado causador de grandes problemas é que esse organismo em particular tende a causar infecções profundas no tecido mamário, reduzindo a quantidade de tecido secretor saudável que está disponível para produzir leite. 
 
Dessa forma, infecções por mastite causadas por S. aureus também costumam resultar em produção de leite consideravelmente reduzida. Esse organismo, além de causar mastite, também pode ser encontrado na pele da vaca, em seu tecido nasal e também nas mãos dos técnicos de ordenha.
 
Não é possível diagnosticar S. aureus simplesmente olhando para o leite de uma vaca infectada. O diagnóstico deve ser baseado no crescimento do organismo em amostras de leite retiradas de quartos mamários com suspeita de infecções. Quando essas amostras de leite são levadas a um laboratório, este organismo crescerá em meios típicos usados nesses laboratórios. Porém, depois que o organismo tiver crescido, deve ser diferenciado de outros estafilococos usando testes especiais. Esses testes incluem hemólise em ágar sangue, teste de coagulase e teste de fermentação do manitol. Assim, você precisa garantir que seu laboratório está fazendo esses testes específicos para ter certeza de que o diagnóstico está correto.
 
Outra coisa complicada sobre o diagnóstico de mastite por Staphylococcus aureus é que este organismo frequentemente se desprende  no leite de forma intermitente, o que significa que várias amostras de leite podem ser necessárias para o diagnóstico, porque o organismo pode ser encontrado na amostra de leite em um dia e não ser encontrado vários dias depois, portanto, não é incomum ter resultados de cultura falsos negativos. Se você realmente suspeitar de S. aureus como a causa da mastite, mas o resultado não aparecer na amostra de leite enviada ao laboratório, recomenda-se obter mais amostras. 
 
Sintomas
 
Vacas infectadas com Staphylococcus aureus podem ter vários tipos de sintomas. A forma  mais comum é provavelmente uma infecção subclínica crônica de longo prazo. Isso significa que temos que medir as células somáticas para determinar se a vaca está infectada. O complicado sobre as infecções por estafilococos é que o nível de células somáticas varia ciclicamente. Em um dia, você pode ver uma contagem de células somáticas de, digamos, 200 mil células por mL e quando você testar esse animal mais tarde, pode ser de 3 milhões ou 4 milhões ou 9 milhões de células por mL. É perfeitamente normal ver essa eliminação cíclica do organismo no leite e também ver uma variação cíclica de contagens de células somáticas. 
 
As infecções crônicas por S. aureus também podem causar perda considerável dessas outras células secretoras de leite e reduzir a produção de leite. Se uma vaca tiver uma infecção subclínica de longo prazo, conforme evidenciado por ter uma contagem cronicamente alta de células somáticas, devemos sempre procurar excluir a possibilidade de ser S. aureus.
 
Além de infecções subclínicas, o S.aureus também pode causar casos clínicos leves e graves de mastite, de forma que a vaca pode apresentar em um amplo espectro de sintomas. Ocasionalmente, em algumas fazendas, algumas cepas de S. aureus podem resultar em tipos muito graves de mastite que chamamos de mastite por gangrena.

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Transmissão 
 
O Staphylococcus aureus se comporta como um patógeno clássico da mastite contagiosa e isso significa que se espalha por todo o rebanho quando os tetos de vacas saudáveis entram em contato com leite infectado que geralmente se origina de uma vaca com uma infecção subclínica. Portanto, quando olhamos para pontos na fazenda que contribuem para a transmissão, muitas vezes consideramos a hora da ordenha como o momento de maior risco de exposição.
 
Tratamento
 
Após as vacas serem infectadas com estafilococos e desenvolverem um caso de mastite, temos que considerar as opções para resolver esses casos e, no caso do S. aureus, é importante reconhecer que quase nenhum desses casos irá curar espontaneamente. Será necessário fazer alguma intervenção, porque as vacas não são muito eficazes para curar-se desta infecção.
 
Também é importante reconhecer que, quando decidimos usar antibióticos para o tratamento da mastite causada por S. aureus, as taxas gerais de cura são bastante baixas. Na verdade, se olharmos a literatura de pesquisa, os casos de cura normalmente estarão entre cerca de 30% e cerca de 50% ou 60%.
 
Antes de começar a tratar, temos que definir as expectativas adequadas e uma das coisas que pode nos ajudar a definir essas expectativas é entender alguns dos fatores que influenciam a cura esperada. O que sabemos é que quanto mais tempo uma vaca fica infectada com S. aureus antes de percebermos e iniciarmos o tratamento, menor a probabilidade de ter uma cura bem-sucedida e isso está relacionado à capacidade desse organismo de infectar profundamente o tecido e se isolar para escapar dos tratamentos com antibióticos e do sistema imunológico da vaca. 
 
Então, alguns fatores podem nos ajudar a decidir se devemos tratar a vaca. Um deles é a idade da vaca. Vacas muito novas em primeira ou segunda lactação têm muito mais probabilidade de um tratamento bem-sucedido em comparação com vacas mais velhas e, de fato, vacas com mais de três lactações tem probabilidade de cura extremamente remota.
 
A contagem de células somáticas do quarto afetado também é outra pista que podemos olhar para tomar uma decisão sobre se o tratamento será provavelmente eficaz ou não. Vacas que têm períodos mais curtos de contagem de células somáticas altas, ou seja, vacas que não desenvolveram infecções crônicas, são muito mais propensas a ter um resultado de tratamento bem-sucedido em comparação com vacas que têm infecções crônicas de longo prazo. Na verdade, em uma vaca que tem um longo histórico de ter uma alta contagem de células somáticas, a probabilidade de cura se aproxima de zero. 
 
Outra questão a ser considerada seria o número de quartos infectados com S. aureus. Vacas que têm apenas um quarto infectado têm muito mais probabilidade de cura em comparação com vacas que têm vários quartos infectados.
 
Portanto, se tomarmos a decisão de tratar com base na observação desses fatores de risco específicos da vaca, também devemos reconhecer que não devemos fazer um tratamento de curta duração. Há uma série de estudos de pesquisa que mostram que os tratamentos para vacas infectadas com S. aureus devem ser tratamentos de duração prolongada, o que significa que esses tratamentos devem ter cerca de cinco a oito dias de duração.
 
Mas, novamente, mesmo com esses cinco a oito dias de duração, lembre-se de que nossas expectativas devem ser baseadas nos fatores de risco específicos da vaca e também reconhecendo que só vamos curar cerca de 50 a 60% dessas vacas, porque nossa expectativa de cura é relativamente baixa. Temos que reconhecer que os outros 50% das falhas no tratamento precisam ser identificados e separados ou eliminados do rebanho. Assim, não é um caso em que queremos apenas tratar vacas e presumir que elas serão curadas, este é um caso em que temos que olhar para as vacas e tomar algumas decisões sobre se esses tratamentos foram ou não eficazes e, em seguida, tomar decisões sobre o que fazer com essas vacas. 
 
Agora, decidir se o tratamento foi eficaz ou não também é difícil porque, conforme mencionado antes, a contagem de células de uma vaca infectada com S. aureus será muito cíclica e a eliminação do organismo irá variar ciclicamente. Então, quando formos decidir se um tratamento foi ou não eficaz, teremos que olhar para o longo prazo.
 
É bastante comum que vacas tratadas para mastite por estafilococos tenham uma queda imediata na contagem de células e,  às vezes as pessoas pensam que todas essas vacas estão curadas, mas o que você realmente precisa fazer é olhar para essas vacas com desconfiança e acompanhar essa contagem de células somáticas ao longo de semanas ou meses, porque a contagem de células pode cair em um mês e voltar a subir no mês seguinte, à medida que o organismo retoma o crescimento e estimula o sistema imunológico. Portanto, seja cauteloso novamente e considere as vacas tratadas como potencialmente contagiosas para outras vacas.
 
Plano de controle de 5 pontos da mastite 
 
Não controlamos a mastite estafilocócica ao nos concentrarmos no tratamento. Nós controlamos a mastite estafilocócica ao nos concentrarmos na prevenção e a chave para a prevenção é a implementação eficaz do plano de controle da mastite de cinco pontos. 
 
O primeiro ponto é implementar efetivamente o pós-dipping. De fato, não é possível controlar a S. aureus de forma eficaz sem um pós-dipping bem feito, de forma que esse é o passo inicial do plano de controle na fazenda.
 
O segundo ponto é usar antibióticos intramamários para vacas secas, em cada quarto de cada vaca no final de cada lactação. O objetivo é tratar as vacas infectadas subclinicamente que não foram detectadas ou tratadas durante a lactação.
 
O terceiro ponto é ter uma estratégia adequada para o tratamento de casos clínicos e isso significa que você precisa ter um plano para registrar todos os casos em registros permanentes e monitorar os resultados. Você também deve trabalhar com o seu veterinário no desenvolvimento de um protocolo de tratamento apropriado com base no tipo de patógenos que estão ocorrendo em seu rebanho.
 
O quarto ponto é certificar-se de que você descarte as vacas cronicamente infectadas, o que significa que essas vacas devem ser identificadas, geralmente através do uso de contagem de células somáticas e alguma cultura e, em seguida, precisam ser removidas do rebanho para que não sirvam como fonte de infecção para vacas saudáveis.
 
O quinto ponto é garantir que haja manutenção regular da máquina de ordenha para que haja um suprimento de vácuo estável para os tetos para reduzir a possibilidade da flutuação do vácuo contribuindo para que esses organismos ganhem acesso ao outro teto.
 
* Baseado no vídeo Managing Mastitis: The Pathogen Series, Episode II: Staphylococcus aureus, com informações de Pamela Ruegg, da Universidade de Wisconsin (https://www.youtube.com/watch?v=Rij1pi6Guwo). 
 
Mais informações: 
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