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Postado em: 18/06/2019

Pedilúvio: Quando e como usar

As lesões podais nos bovinos, além de afetarem negativamente o bem-estar animal, geram inúmeras perdas ao sistema produtivo, seja ele de produção de leite ou carne. A dificuldade de locomoção impacta na ingestão de alimentos, na manifestação de comportamentos naturais (como o cio, por exemplo), nos índices reprodutivos e, consequentemente, na produtividade animal. Uma das formas de prevenção e tratamento dessas doenças é o uso de pedilúvios.

Pedilúvios são recipientes geralmente instalados em corredores de entrada e saída da sala de ordenha, contendo uma solução desinfetante com a proposta de desinfetar os cascos do animal. Estudos mostram que o uso de pedilúvio reduz a necessidade de tratamento típico de lesões no casco. Além disso, eles possibilitam a aplicação de forma rotineira e em grande escala, o que facilita o manejo da fazenda.

Geralmente usam-se como solução nos pedilúvios combinações de sulfato de cobre (CuSO4) e formaldeído. Ambas as soluções podem ser utilizadas com a mesma efetividade. O formol geralmente é mais barato que o sulfato de cobre. Além disso, como o formol é volátil, promove a desidratação da unha ou enrijecimento do estojo córneo do casco. Em compensação, por causa da volatilidade, seu período de atuação é menor, enquanto o sulfato de cobre, uma vez que o animal passa por ele, há uma aderência na pele, levando a uma ação mais prolongada.

Tipos de pedilúvio

1) Pedilúvio de passagem



Esse é o tipo de pedilúvio mais utilizado no Brasil. Nesse tipo de pedilúvio, os animais passam em fila indiana, na saída da ordenha, no caso de animais em lactação. São duas caixas pelas quais o animal passa, uma contendo água e outra, desinfetante.

Sobre a colocação da caixa com água antes da caixa com desinfetante, do ponto de vista prático, isso é pouco eficaz, pois a simples passagem do animal com acúmulo de sujidades na pele por essa caixa de água não remove a sujeira eficientemente.

2) Pedilúvio de passagem em piquete




Semelhante ao usado com vacas em lactação, mas para vacas secas e novilhas.

3) Pedilúvio de estação



Nesse caso, os animais não passam rapidamente por ele. Trata-se de uma caixa grande de desinfecção, onde se colocam animais os deixando presos de cinco a dez minutos. Esse sistema é um pouco mais eficiente do que o pedilúvio de passagem.

Cuidados importantes

É bastante comum que haja queixas de produtores relacionadas ao pedilúvio. Assim, existem alguns fatores que precisam ser cuidados para que o pedilúvio tenha um bom resultado na fazenda.

Diluição 

É muito importante cuidar da diluição da solução de desinfetante utilizada no pedilúvio. Seja em sulfato de cobre ou em formol, a solução deve conter de 3 a 5% de desinfetante na diluição. Acima dessa quantidade, o produto pode irritar muito a pele do animal.

Dimensionamento

O dimensionamento do pedilúvio é outro fator que precisa ser bem pensado e projetado. A caixa deve ter em torno de 2 metros de comprimento ou um pouco mais, para que o animal possa dar pelo menos dois passos na solução desinfetante.

Quantidade de animais

Deve-se cuidar para que não se proceda a passagem de uma quantidade muito grande de animais no mesmo pedilúvio, porque isso poderá sujar a solução, causando mais problema do que gerando benefícios.

Em uma caixa de 200 litros, o máximo de animais que podem passar são 130. Ultrapassando esse número, as vacas estarão passando por uma solução de sujeira, e os problemas podais começarão a aparecer.

Profundidade

É essencial cuidar da profundidade do pedilúvio para garantir que a solução desinfetante alcance a sobreunha do animal (unha que fica logo acima do casco), já que essa está sujeita a lesões. Por esse motivo, são recomendados pelo menos 15 centímetros de profundidade para a caixa.

Condições dos cascos dos animais
 
Animais com cascos muito sujos terão uma redução na eficácia no uso de pedilúvios. Isso porque a camada de sujeira muito espessa impede a ação do desinfetante na pele e em parte do casco, o que diminui a eficácia do pedilúvio.

Confira na foto abaixo um exemplo disso:



Normalmente, as bactérias anaeróbias se aproveitam desse acúmulo de sujeira, que cria um ambiente sem oxigenação para elas crescerem.

Qual a frequência que deve ser utilizado o pedilúvio?

Para animais em confinamento, o processo feito três vezes por semana (adequadamente, de acordo com os pontos citados acima) é o suficiente para manter a dermatite digital controlada no rebanho.

Para aqueles que estão em piquetes, uma vez por semana é suficiente. Em casos de animais que estiveram no barro e com acúmulo de sujeira, o ideal é que os cascos sejam lavados antes de entrar no pedilúvio.

O pedilúvio pode ser utilizado para tratar lesões de casco?

O pedilúvio é um processo feito para prevenção de lesões nos cascos. Quando um animal já está com alguma irritação, ela primeiro deve ser tratada. O animal ferido não deve passar pelo pedilúvio (idealmente), já que o desinfetante atrasa e prejudica o processo de cicatrização.

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