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Postado em: 30/08/2019

Como ter uma produção de leite sustentável em pequena propriedade rural?

Os números mostram que a alimentação é responsável por mais de 50% do custo de produção de leite. Entretanto, com a implantação correta de pastagens, é possível reduzir os custos com alimentação e mão de obra do rebanho. Como um produtor de leite pode ter uma atividade sustentável em uma pequena propriedade?

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Leovegildo Lopes de Matos, o produtor muitas vezes foca demais nos animais, esquecendo-se de focar naquilo que deveria ser o principal em uma propriedade leiteira: a produção de alimentos. Dessa forma, um produtor de leite que quer tornar sua atividade sustentável, precisa melhorar a produção de alimentos, focando em ter uma boa pastagem. Assim, é necessário primeiro garantir animais bem alimentados na propriedade antes de buscar adquirir outros animais.

Já para pessoas que estão começando agora uma produção leiteira, o foco também deve ser na produção de alimentos. Além disso, a busca deve ser por animais com preço médio de mercado, pois se investir demais em animais muito caros, não conseguirá fazer com que o sistema se pague.

Segundo o pesquisador, um produtor de leite é um indivíduo que faz agricultura de capim, como capim não tem tanto mercado, ele agrega valor passando pela boca do animal, colhendo leite. Para ele, comprar uma vaca que custa 4 mil reais não é um investimento, já que se o lucro obtido pelo leite produzido for de 10 centavos, o animal precisaria produzir 40 mil litros de leite para pagar por esse suposto investimento. Dessa forma, o produtor deve investir, mas o leite tem que pagar a aplicação e a tecnologia disponível para isso.

O produtor deve comprar novilhas ou vacas magras médias e inseminar com sêmen de animais leiteiros provados, para melhorar a futura geração de animais. Em três anos, esse produtor estará ordenhando a vaca que precisa ser bem alimentada. Portanto, o foco principal de uma fazenda leiteira precisa ser a produção de alimentos aos animais.

A maioria dos produtores de leite não tem como norma o orçamento alimentar anual para garantir forragem abundante de boa qualidade durante o ano todo.

Cuidados para implantar uma boa pastagem

A primeira coisa que o produtor precisa fazer é buscar uma assistência técnica para ajudar nessa tarefa. Deverá ser tomada amostra de solo da área escolhida para a pastagem, além de serem avaliadas questões como declividade, encharcamento, drenagem da área e, com a ajuda do técnico, eleger quais as forrageiras adequadas para cada um desses pontos. A correção do solo deve ser feita com base na análise. Após isso, deve-se manter um manejo adequado para tornar essa pastagem perene, sem a necessidade de renovação.

O uso intensivo de pastagens utiliza a técnica do pastejo rotacionado, permitindo o melhor aproveitamento do pasto, favorecendo a recuperação da forrageira adotada e evitando a degradação da pastagem. Esse pastejo aumenta a taxa de lotação (UA/ha) e a produtividade animal, com maior eficiência da região e redução de custos, viabilizando a produção para as pequenas propriedades, comprovando que mesmo em pequenas áreas é possível gerar uma boa produção leiteira. Os resultados de pesquisa da Embrapa a campo comprovam que com essa metodologia a lotação pode chegar a 15 UA/ha/ano.

Para a adoção desse sistema, são necessários planejamento, gerenciamento profissional, mão-de-obra qualificada, manejo adequado, assim como, instalações, conforto, sanidade e alimentação em quantidade e qualidade.

A técnica consiste em dividir o pasto em áreas de ocupação, quando os animais estão nos piquetes; e de descanso, com o tempo necessário para o crescimento da planta, que varia para cada espécie empregada. O tamanho do piquete difere conforme o número e tipos de animais – vaca, novilha e bezerra, e produção e consumo de forragem. Para ser bem-sucedida, recomenda-se a análise e correção do solo, a adubação das pastagens, a escolha da forrageira correta e o uso de cerca para a divisão dos piquetes. O rotacionado aproveita o pasto, tornando-o uniforme.

Manejo de bezerras

Outra questão que o produtor precisa ter em mente é planejar a criação de bezerras. Escolhas relativamente simples, porém mal tomadas comprometem a atividade. A primeira delas é a matriz e para isso um lembrete valioso: "a galinha poedeira moderna só não é menor que o ovo". A vaca leiteira do futuro tem que seguir o mesmo padrão. Ela é pequena, gasta menos energia e produz. Além disso, responderá como desejado se for bem alimentada, caso contrário, não.

"O futuro é uma vaca que trará não mais leite, mas lucro. A vaca não dá leite, ela o produz em um processo de transformação. A reposição começa a ser planejada antes mesmo do nascimento, quando o produtor define quais animais serão ordenhados de forma mais eficiente futuramente. A preocupação antecipada também define que tipo de touro ou sêmen a ser usado em três anos e meio e qual a raça ou grupamento genético comporão o rebanho futuro", frisa Leovegildo.

Após a escolha e o nascimento, os cuidados com a bezerra merecem a atenção, a começar pela ingestão do colostro, fase mais importante do processo. Os bezerros são totalmente dependentes do colostro e o seu consumo os ajuda a adquirir imunidade e está relacionado diretamente ao desenvolvimento das futuras matrizes. Além do fornecimento de leite (balde ou teta), três a quatro litros/dia, a bezerra pode consumir uma ração inicial no cocho, como farelo de soja e milho quebrado, para desenvolver o rúmen e, assim, desmamar mais cedo.

O manejo inadequado traz menor número de bezerras desmamadas e menor eficiência de seleção de novilhas de reposição, menor número de animais excedentes para a venda, maior taxa de mortalidade e aumento dos custos com medicação e animais com mais problemas de saúde, e menores taxas de progresso genético do rebanho.

Higiene

O uso do pasto rotacionado e o manejo de bezerras correto não são as únicas garantias de aumento na produção. A devida higienização é também preponderante. Falhas nessa etapa acarretam a contaminação cruzada, com a ausência do uso da caneca de fundo preto para identificação de mastite; a elevação da contagem bacteriana total, obtida com faltas na higiene de equipamentos e utensílios; a contaminação do leite com antibióticos, dentre outras.

A contaminação do leite durante a ordenha e suas condições de armazenamento até chegar ao laticínio são os principais fatores de perda de qualidade do produto. É uma tecnologia barata e que faz toda a diferença, capaz de reduzir a contagem bacteriana de 800 mil para 130 mil, registrada em estudos da Embrapa.

Seca

Algumas regiões do País sofrem anos consecutivos com baixos índices de precipitações. Seres humanos sofrem, plantas e animais acompanham. Todos os animais exigem cinco categorias de nutrientes – água, minerais, vitaminas, proteínas e energia. A água é oferecida 24 horas por dia; os minerais, um sal de boa qualidade no cocho cumpre a missão; e a vitamina é fornecida somente para bovinos confinados e sem exposição ao sol.

Já a proteína e a energia preocupam, mas são passíveis de ajustes. Na seca, a suplementação proteico-energética representa custo e as alternativas disponíveis, como grãos, silos, irrigação de pastagem, capineira, ração, feno e cana-de-açúcar possuem suas peculiaridades.

O zootecnista Frederico Olivieri Lisita explica que, principalmente, onde a seca maltrata a pastagem, a proposta é adotar forrageiras proteicas e regionais, na forma de feno, como bocaiuva, algodão-de-seda, parte aérea da mandioca; as capineiras de capim-elefante; e as leguminosas, como o feijão-guandu e a leucena.

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Fontes consultadas:

Sucesso de atividade leiteira vai além de ajustes nos preços do mercado (http://www.boiapasto.com.br/noticias/sucesso-de-atividade-leiteira-vai-alem-de-ajustes-nos-precos-do-mercado/8318/3#.XWUm10XPzIU)

Prosa Rural - Produção de leite em pequenas propriedades rurais (https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/28637365/prosa-rural---producao-de-leite-em-pequenas-propriedades-rurais)



 

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