Qualidade da água: essencial para a produção de leite

Postado em: 01/08/2022 - 3 min de leitura

Qualidade da água: essencial para a produção de leite
A qualidade da água impacta diretamente na produção de leite e saúde animal, contudo, no setor agrícola, o fornecimento de água potável aos animais é muitas vezes negligenciada. A água fornecida pode estar contaminada com bactérias presentes nos sistemas de fornecimento de água e prejudicar a saúde animal.

Isso porque o intestino saudável dos mamíferos inclui um elevado número de bactérias comensais (micro-organismos benéficos) que existem em homeostase com o sistema imunológico da vaca leiteira. A ingestão de bactérias patogênicas presentes em água de baixa qualidade interfere nesse equilíbrio, podendo levar a consequências negativas para a saúde da vaca.

Estudos anteriores demonstram uma associação negativa entre a baixa qualidade da água e a diminuição na produção de leite. Além de gordura, proteína e lactose, o leite é composto por 87% de água. O abastecimento de água provém, também, do metabolismo e da alimentação, mas a maior parte (80-90%) tem origem no consumo de água potável. No entanto, se a qualidade da água for baixa, as vacas consumirão menos, o que pode ter consequências graves no estado de saúde dos animais.

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Em que momento a qualidade da água afeta a qualidade do leite?

O impacto da má qualidade microbiológica da água está diretamente relacionado à elevada contagem bacteriana total (CBT) no leite, uma contribuição significativa com a contagem de células somáticas (CCS) e também pode afetar a saúde animal.



A qualidade da água vai afetar a qualidade do leite justamente nos procedimentos que deveriam garantir a sua qualidade, ou seja, de higiene e limpeza, manejo de ordenha e limpeza do ambiente. Embora possa se justificar que são utilizados detergentes e desinfetantes de alta qualidade para a higienização e manutenção da limpeza do local, a baixa qualidade da água coloca em risco todo o investimento feito nesses produtos e nos procedimentos visando a qualidade do leite.

A população bacteriana, em temperatura acima de 13ºC e na presença de nutrientes – sendo o leite um excelente nutriente – dobra a cada 20 minutos. Uma única gota de água pode conter 1 milhão de microrganismos. Considerando que o processo de refrigeração do leite pode demorar até duas horas, se uma única gota contendo 50 mil bactérias contaminar o tanque de resfriamento, em duas horas teremos 1,6 milhão de bactérias nesse tanque.

O volume de leite no tanque é que vai definir o grau de contaminação. No entanto, dificilmente haverá apenas uma gota de água contaminada nesse tanque.

Outro ponto de extrema importância a ser considerado é o tempo de sobrevivência de algumas bactérias comuns em ambientes de produção de leite em ambiente seco:


Fonte: Kramer et al. BMC Infectious Diseases 2006 6:130.

Para que essas bactérias voltem à atividade, basta que haja umidade e nutriente.

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Muitas bactérias associadas à CCS estão presentes na água e podem ser disseminadas através dela. Entre elas, podemos citar o gênero Streptococcus, Escherichia, Enterobacter, Klebsiella, Serratia e Pseudomonas.

Ainda, outros microrganismos causadores de doenças animais também são facilmente encontradas na água, como Salmonella cholerae, Clostridium perfringens, Escherichia coli e Rotavírus.

Cloração e a seguridade da água

Uma água isenta de contaminação bacteriológica é segura para todo tipo de uso, seja nos procedimentos de higiene e limpeza, no consumo animal ou no consumo humano. Assim como recomenda a Instrução Normativa (IN) 62, o ideal é que a água de uso geral contenha 0,5 a 1,0 mg por litro de cloro. Essa água estará segura para qualquer tipo de aplicação.

Entretanto, na sala de ordenha, a recomendação é uma dosagem de 3,0 a 5,0 mg por litro. Isso porque após os procedimentos de limpeza, os equipamentos ficam molhados e o ideal é que essa água tenha um teor a mais de cloro para que o processo de sanitização seja eficiente.

Benefícios da cloração
  • Redução da CBT. Isso trará ganhos tanto para o produtor, como para o laticínio, que terá um leite de melhor qualidade;
  • Contribui com redução da CCS;
  • Reduz a periodicidade de limpeza dos bebedouros, porque a água clorada inibirá o crescimento e desenvolvimento de algas.

É importante destacar que a cloração da água não substitui procedimentos de higiene e limpeza, apenas os potencializa.

Benefícios propiciados pelo tratamento da água
  • Qualidade microbiológica do leite melhora e gera lucro para produtores e laticínios;
  • Saúde humana no meio rural;
  • Melhora significante da saúde animal;
  • Contribuição para a segurança alimentar do leite.

Fontes:
Good quality water: An essential nutrient for dairy cows
Aula EducaPoint: “Gestão da qualidade e quantidade de água na produção leiteira”


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